BK cresce 217% no digital e aposta em delivery próprio e ghost kitchen

Expectativa é de que ganho das vendas no digital se mantenha mesmo com reabertura de todas as lojas; empresa teve prejuízo de R$ 105 milhões no trimestre

O BK Brasil, companhia que opera as marcas de fast food Burger King e Popeyes, reabriu 100% de suas lojas no final de setembro e cresceu mais de 200% nas vendas digitais no terceiro trimestre de 2020. Com isso, a expectativa é de que a pior fase da crise causada pela pandemia esteja no fim.

A profissão mais valorizada na pandemia? Vire um "dev" com o curso de data science e Python da EXAME

A empresa teve receita de 522 milhões de reais de receita no terceiro trimestre de 2020, queda de 27,8% em relação ao mesmo período de 2019. Na última linha do balanço ficou com 105 milhões de reais de prejuízo, ante lucro de 5,4 milhões de reais um ano antes. “Acreditamos que o pior já tenha passado, que saímos desse período mais fortes do que entramos e conseguimos nos adaptar para capturar as oportunidades que esses momentos difíceis trazem”, afirmou o presidente do BK Brasil Iuri Miranda em teleconferência com analistas.

O desempenho ainda difícil no trimestre se deve ao funcionamento parcial das lojas em boa parte do período, especialmente no mês de julho, quando somente 40% das unidades estavam funcionando. Em agosto, a empresa passou para 75% das lojas abertas, e 80% da receita do período pré-covid. No final de setembro, passou a 100% dos restaurantes abertos, com 90% da receita do período pré pandemia. Outro fator importante foi a ampliação do horário de funcionamento das lojas, possibilitando captar a demanda tanto no almoço quanto no jantar.

No período, o desempenho no delivery foi fundamental para reforçar o faturamento da companhia. A receita nos canais digitais foi 136,3 milhões de reais no período, aumento de 217% em relação ao mesmo trimestre de 2019, quando atingiu 43 milhões de reais. Se comparado às vendas do segundo trimestre de 2020, o crescimento foi de 27,3%, mesmo com a retomada significativa do consumo nas unidades.

Os dados dos próximos trimestres vão dizer se esse crescimento no digital será um incremento na receita, ou se diminuirá com a normalização das operações e a flexibilização do isolamento social. Para manter esse ritmo de crescimento no digital, a companhia divulgou ontem que estuda a possibilidade de fazer uma emissão de ações na bolsa para ampliar seus investimentos na transformação digital.

O crescimento desses canais foi impulsionado pela presença do BK nas principais plataformas de delivery – Ifood, Rappi e Uber Eats – e pela inclusão em mais dois aplicativos no terceiro trimestre: 99 e James Delivery.

O Burger King também investe em um serviço próprio de delivery, que já cobre 100 lojas da rede em 25 cidades. O aplicativo da marca já teve 25 milhões de downloads e tem 7 milhões de usuários cadastrados. Com o avanço dessa modalidade, a expectativa é ganhar em margem, e reduzir a dependência das outras plataformas.

Para dar conta do crescimento no digital, o BK abriu no trimestre sua primeira ghost kitchen, que somente as operações de delivery tanto de Burger King quando de Popeyes. Com isso, a meta é desafogar as lojas nos horários de pico de consumo e garantir uma boa experiência para o consumidor. Se a loja piloto se mostrar promissora, a ideia é expandir esse modelo, para atender o delivery em diversas localidades.

No trimestre, a rede fez onze inaugurações de lojas, sendo nove de BK e duas da marca Popeyes. No entanto, o fechamento de unidades foi mais expressivo, com 20 encerramentos.

O presidente do BK também comentou o aumento de preços no setor de alimentos e disse que isso pode impactar o preço dos produtos da rede. “O aumento de itens como a carne é uma realidade e acredito que vai impactar todo o mercado, não só nós, mas também supermercados por exemplo. Não vemos como isso pode ser absorvido pelo mercado, vai ter transferência aos preços de vendas”, disse.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.