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Ânima prevê crescer até 90% em cursos de medicina com compra da Laureate

Considerando vagas já aprovadas e outras em avaliação, expectativa da Ânima é chegar a 2.260 vagas em cursos de medicina, com 16.254 alunos

Educação: compra da Laureate do Brasil pela Ânima tem foco em cursos de medicina, mais rentáveis (Marcos Santos/Divulgação)

Educação: compra da Laureate do Brasil pela Ânima tem foco em cursos de medicina, mais rentáveis (Marcos Santos/Divulgação)

Mariana Desidério

Mariana Desidério

Publicado em 3 de novembro de 2020 às 11h16.

Última atualização em 3 de novembro de 2020 às 12h40.

A companhia de educação Ânima, que fechou acordo para aquisição da Laureate do Brasil, espera que a aprovação do negócio no Cade seja rápida, com espera de até quatro meses. A celeridade na aprovação se deve principalmente ao acordo firmado pela Ânima para a venda da FMU ao fundo Farallon, assim que o negócio com a Laureate for consumado.

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A FMU, em São Paulo, é um dos principais ativos da Laureate do Brasil, mas mantê-la poderia dificultar a aprovação do negócio, uma vez que a Ânima já possui a São Judas em São Paulo, e a Laureate tem também a Anhembi Morumbi, que ficará com a Ânima. Com isso, no entendimento dos executivos da Ânima, a aprovação no Cade será simples.

Ânima e Laureate têm sobreposição de atuação apenas em São Paulo. E, com a venda da FMU, a transação acaba reduzindo a concentração de mercado na capital paulista, já que Anhembi e FMU juntas representam uma concentração maior do que São Judas e Anhembi.

A transação também vai ajudar a Ânima a reduzir a alavancagem da Ânima com a compra da Laureate. A venda da FMU sairá por 500 milhões de reais.

Outra estratégia para reduzir a alavancagem da companhia é a possibilidade de venda de ativos para a Ser Educacional, que ficou com a opção de comprar o Centro Universitário Ritter dos Reis, a UniRitter, o Centro Universitário Fadergs, e o Centro Universitário Hermínio da Silveira (IBMR). Além das vendas, a a expectativa é conseguir reduzir a alavancagem através de sinergias e ganhos de margem.

A Ânima vai pagar 4,4 bilhões de reais pela Laureate do Brasil, sendo 3,7 bilhões de reais de equity e  623 milhões de reais de dívida. A compra será totalmente financiada por um sindicato de bancos formado por Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil. Se conseguir vender todos os ativos pretendidos, a Ânima ainda ficará com 73% do ebitda da Laureate do Brasil.

Medicina

Dentre os critérios para definir os ativos a serem mantidos está o potencial de crescimento nos cursos de medicina, os mais rentáveis do setor. Com a aquisição, a Ânima amplia o número de vagas em cursos de medicina de 873 para 1770, com 8.636 alunos. Considerando vagas de medicina já aprovadas e outras ainda a serem aprovadas, a expectativa da Ânima é chegar a 2.260 vagas em cursos de medicina, com 16.254 alunos, um crescimento de 88% em relação ao número atual, considerando Ânima e Laureate.

O foco da Ânima nos últimos anos foi em aquisição de instituições de renome, com ticket médio mais alto. A empresa reforça que conseguiu ampliar seu ticket médio nos últimos semestres, enquanto outras empresas do setor reduziram as mensalidades para atrair alunos.

A aquisição da Laureate também traz contribuições importantes no ponto do uso de tecnologia na educação. A Laureate tem 43 mil alunos no ensino à distância (22% do total de alunos), enquanto a Ânima tem menos de 1.000.

“Eles reinventaram completamente o processo do uso de tecnologia nos cursos e estão colhendo os primeiros resultados em ticket médio e percepção do aluno. Queremos aprender com esse modelo e incorporá-lo”, afirmou o presidente da Ânima, Marcelo Bueno.

Com a aquisição, a Ânima vai de 140 mil alunos para 338 mil alunos. A receita salta de 1,3 bilhão de reais no segundo trimestre de 2020 para 3 bilhões de reais no período. Para Daniel Castanho, presidente do conselho de administração da Ânima, o momento é histórico para a companhia. “É um momento transformacional, seremos o grupo mais relevante do país em termos de entrega de valor aliado ao número de alunos”, afirmou.

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