Afya fatura R$ 1,7 bi em 2021 e avança para ser a ‘Microsoft dos médicos’

Frente de serviços digitais para médicos tem potencial para ser muito maior que a de educação, diz CEO
Medicina e tecnologia: plano da Afya é ser plataforma de serviços digitais para médicos (Getty Images/Reprodução)
Medicina e tecnologia: plano da Afya é ser plataforma de serviços digitais para médicos (Getty Images/Reprodução)
Por Mariana DesidérioPublicado em 01/04/2022 16:57 | Última atualização em 01/04/2022 16:57Tempo de Leitura: 5 min de leitura

A empresa de educação Afya tem um plano ambicioso: tornar-se uma espécie de Microsoft para os médicos. A referência à gigante de tecnologia traduz o “mindset” por trás do que a companhia enxerga para o futuro. Além de oferecer cursos de graduação e pós-graduação no setor de saúde, a Afya quer ser um hub de serviços digitais para o público médico e, com isso, fazer parte do seu cotidiano.

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“Assim como as pessoas usam o Office nas faculdades, temos um mindset de embutir na formação dos nossos alunos todo um ferramental a ser usado em sua vida profissional”, afirma Virgílio Gibbon, presidente da Afya.

A frente de serviços digitais para médicos é uma das principais apostas de crescimento da Afya para os próximos anos. “Crescemos mais de 60% em serviços digitais em 2021 e isso é só o começo. A proposta é multiplicar isso por quase 10 até 2028”, diz o executivo.

O avanço desse modelo já estava nos planos da companhia, mas foi acelerado com a pandemia. Hoje os serviços digitais são 10% do faturamento da companhia. “Esse é um negócio exponencial, com potencial de ser muito maior do que o próprio negócio de educação é hoje dentro da Afya”, diz.

A companhia foi pioneira em focar seu modelo de negócio no segmento de medicina, o mais rentável da educação superior. Depois dela, muitas companhias criaram frentes de negócios especiais para esses cursos.

Com essa tese, a Afya terminou 2021 com receita líquida ajustada de 1,7 bilhão de reais, alta de 45% em relação a 2020 e lucro líquido ajustado de 440 milhões de reais. O guidance para 2022 é chegar a uma receita líquida ajustada entre 2,28 bilhões de reais e 2,36 bilhões de reais – três vezes a receita registrada em 2019.

Hoje a Afya tem 16 mil alunos em cursos de graduação de medicina, matriculados em 22 instituições pelo país, além de 19,8 mil alunos em outros cursos de saúde. No total são 61 mil estudantes.

Para os próximos anos, além de continuar crescendo nos cursos, a meta é ampliar os serviços. A aposta nesses serviços diferencia a Afya das tradicionais empresas de educação, como Cogna e Yduqs.

É uma frente que aproveita o relacionamento já estabelecido com a base de alunos da Afya, mas vai além. Hoje 240 mil médicos usam as soluções digitais da Afya todos os meses, ou seja, um terço de todos os médicos e estudantes do país. “Nosso foco é gerar valor para o médico”, diz Lélio Souza Júnior, vice-presidente de serviços digitais da Afya.

Para reforçar essa estratégia, a companhia tem feito aquisições. Em 2020 comprou oito healthtechs, que oferecem serviços de prescrição eletrônica, suporte na tomada de decisão médica, telemedicina, dentre outros. No início de 2022, anunciou acordo para a compra da plataforma Além da Medicina, que oferece preparação para prova de residência, capacitação financeira voltada para médicos e conteúdos de empreendedorismo e marketing.

Além dos serviços voltados ao médico, a Afya também olha para soluções voltadas para empresas. Aqui, uma das frentes importantes é a que facilita o acesso da indústria farmacêutica aos médicos, ajudando na distribuição de conteúdo e amostras. A Afya já tem contratos com 18 companhias nesse modelo. Outra frente é a de otimização da demanda, por meio de um buscador para o melhor custo benefício dos medicamentos de uma prescrição, gerando demanda para as farmácias.

A Afya também oferece serviços para instituições de ensino – muitas vezes, suas concorrentes. A companhia adquiriu por exemplo a Medical Harbour, que possui uma biblioteca 3D de anatomia, e oferece essa solução para outras universidades dentro e fora do país.

Mais Médicos e Softbank

Além da frente digital, a Afya deve continuar crescendo em cursos. A companhia recebeu em março a autorização do MEC para abrir quatro novas faculdades de medicina no Norte do país, duas no Amazonas, e duas no Pará, no âmbito do programa Mais Médicos.

A companhia mudou recentemente de controlador. A família Esteves, fundadora do negócio, vendeu parte de suas ações para a alemã Bertelsmann, que atua nos segmentos de comunicação e educação. Segundo Gibbon, a alteração no controle não muda a rota da companhia. “A palavra é continuidade, a Bertelsmann estava com a Afya desde o dia um”, diz.

A Afya nasceu pela união do grupo de faculdades de medicina NRE Educacional com a Medcel, marca de cursos preparatórios para provas de residência médica.

A companhia levantou 248 milhões de dólares (cerca de 1 bilhão de reais) em sua abertura de capital na bolsa de valores Nasdaq em julho de 2019. Em 2021, o Softbank investiu 822 milhões de reais na empresa, por meio de instrumento de dívida conversível em ações. O motivo do aporte foi justamente a estratégia de serviços digitais da companhia.

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