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A startup que cresce 10% ao mês e faz de microdistribuidores operadores da economia circular

Após pivotar duas vezes, a Box24x7 encontrou escala ao conectar consumidores que precisam de equipamentos domésticos e que, em vez de comprar, preferem alugar com microdistribuidores que operam de casa

Fábio Ginzel e Artur Carvalho, sócios da Box24x7: jornada até encontrar o modelo de negócio adequado (Divulgação/Divulgação)

Fábio Ginzel e Artur Carvalho, sócios da Box24x7: jornada até encontrar o modelo de negócio adequado (Divulgação/Divulgação)

Cláudia Rosa
Cláudia Rosa

CEO da Rede Investe e colaboradora da EXAME

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 09h22.

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Hoje, a Box24x7 vai além de uma startup de locação. É uma operação que cresce 10% ao mês, realiza cerca de mil locações mensais e está preparada para escalar em todo o Brasil.

Seu segredo? Um marketplace descentralizado e ousado, em que microdistribuidores, na sua grande maioria, aposentados, investem em equipamentos, de furadeiras a aspiradores de pó, que mantém em casa — enquanto a Box  cuida da tecnologia, logística e demanda.

É o encontro perfeito entre inovação, impacto social e rendimento mais alto que muitos investimentos tradicionais — tudo sem sair de casa.

A Box24x7 pode ser definida como o “Uber das locações”: o entregador retira e devolve o produto diretamente no endereço do parceiro, que prepara tudo para o próximo aluguel.

Cada operador ganha entre 10% e 15% ao mês sobre o valor investido — retorno duas vezes maior que muitos investimentos tradicionais, sem sair de casa.

Mais do que um negócio de locação, a Box  quer se consolidar como um ecossistema de economia circular: acesso substituindo posse, sem tralha, sem manutenção.

Mas chegar até esse modelo exigiu duas grandes mudanças de rota — e uma lição valiosa sobre conhecer o público certo.

De armários inteligentes a marketplace

A Box24x7 nasceu em julho de 2022 com um propósito ambicioso: mudar a forma como as pessoas consomem produtos domésticos no dia a dia.

A empresa começou com armários eletrônicos instalados em condomínios, nos quais os moradores alugavam itens pelo aplicativo e retiravam no próprio prédio.

Essa primeira fase da empresa, que durou até dezembro daquele ano, foi marcada pelos armários inteligentes.

O modelo funcionava, mas não escalava e, para crescer, seria preciso fabricar mais armários e comprar mais itens. O Capex era altíssimo e o retorno, lento. A lição: o consumidor queria o serviço, mas o modelo travava o crescimento.

A partir de janeiro de 2023, chegou a fase do delivery descentralizado e entrega em uma hora. A primeira grande mudança veio quando os fundadores fizeram uma pergunta simples: “Se o usuário já pede pizza via iFood, por que não poderia alugar uma furadeira da mesma forma? ”.

A startup passou então a operar de uma garagem, enviando produtos via Uber e 99. O resultado: o faturamento do primeiro mês superou a soma dos seis anteriores. Mas o gargalo continuava — ainda era preciso abrir novas garagens e comprar mais itens.

Foi então que surgiu o insight decisivo: e se os produtos não fossem da Box, mas das pessoas? A empresa desenhou um marketplace no qual parceiros investem nos produtos, armazenam em casa, e a startup gerencia toda a operação.

A primeira tentativa foi com motoristas de aplicativo, mas falhou: esse perfil prefere estar nas ruas, não em casa. Foi quando a startup encontrou um público perfeito — aposentados e pessoas acima de 60 anos.

Eles têm disponibilidade, paciência e zelo com os produtos — e, principalmente, encontram propósito na atividade. “Muitos dizem que entraram no negócio mais pelo prazer de ter o que fazer do que pelo dinheiro”, dizem os sócios.

Tracionando, investindo e ganhando reconhecimento

Com o novo modelo ganhou escala sem aumentar custos fixos. A meta é chegar a R$ 500 mil de faturamento até julho deste ano e atingir o ‘break-even’, consolidando São Paulo e escalar nacionalmente.

Em setembro de 2025, a Box24x7 captou R$ 1,1 milhão em sua primeira rodada com Anjos do Brasil, Bossa Invest e Poli Angels.

Outro ponto a favor: a Box foi a segunda startup brasileira aprovada no programa de inovação aberta da Bosch, referência global em ferramentas industriais e um dos grandes parceiros.

Participou na última temporada do Shark Tank Brasil, conquistando sharks como a super investidora Carol Paiffer e José Carlos Semenzato, um dos maiores nomes em franquias do Brasil - com grandes possibilidades de parcerias e crescimento.

Para sustentar os próximos saltos de crescimento, a empresa fechou parceria com João Gonçalves, líder da JoGo Growth Experts, ex-CMO do QuintoAndar e OLX. E montou um Conselho Consultivo, com investidores e especialistas no mercado.

Um trecho do manifesto da empresa resume o seu espírito: “Ser distribuidor Box24x7 é transformar o dia a dia em significado. O equipamento sai para resolver a vida de alguém e volta pronto para o próximo que precisa. Porque a experiência não se aposenta: ela vira confiança”.

O que a Box24x7 está construindo é mais do que um marketplace de aluguel: está criando um sistema em que o acesso substitui a posse, a renda vem acompanhada de propósito e, principalmente, o impacto econômico e impacto social caminham juntos.

A startup que nasceu em armários eletrônicos agora se prepara para escalar um modelo em que muitos aposentados se tornam operadores de um negócio circular — e consumidores descobrem que não precisam ter para usar.

*Conselheira e maior investidora-anjo em startups do Brasil 2022, CEO da Rede Investe - @claudiarosa_vc

 

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