A Pfizer quer voar sozinha — e tem alguns planos para ir além da pandemia

O CEO da farmacêutica, Albert Bourla, afirmou que a empresa quer usar a tecnologia baseada em genes para combater outras doenças além da covid-19

A Pfizer quer expandir seu mercado de vacinas, e busca tornar-se líder na nova tecnologia baseada em genes, que está por trás de sua vacina contra o coronavírus. A farmacêutica vai desenvolver novas vacinas usando a tecnologia "mRNA", para atingir outros vírus além da covid-19, afirmou o CEO Albert Bourla em entrevista ao WSJ.

O presidente-executivo da Pfizer disse que cientistas e engenheiros da empresa ganharam uma década de experiência no ano passado trabalhando na vacina contra covid-19, em parceria com a alemã BioNTech SE, e estão prontos para expandir o método mRNA por conta própria. “Somos a empresa mais bem posicionada no momento para dar o próximo passo, devido ao nosso tamanho e experiência”, afirmou Bourla.

A farmacêutica aumentará a pesquisa e desenvolvimento da tecnologia, incluindo a contratação de pelo menos 50 funcionários cujas atribuições serão focadas na nova tecnologia de mRNA, aproveitando a rede de fabricação criada no ano passado. “Agora estamos à frente e planejamos manter a vantagem”, afirmou o executivo sobre o setor de vacinas de mRNA.

Bourla não explicitou quais vírus a Pfizer está atrás e se negou a comentar sobre as futuras vendas de vacinas. Ele espera que o mRNA também possa ser eficaz em áreas onde as vacinas existentes têm efeitos colaterais indesejáveis ​​ou fornecem proteção inferior do que o esperado.

 

 

As ambições da Pfizer são apenas uma forma pela qual a pandemia está prestes a mudar para sempre o setor de saúde. A adoção da telemedicina — que reduziu a necessidade de pacientes visitarem hospitais — é outra. Especialistas também esperam que a entrega de medicamentos por delivery também continue.

A Pfizer já possui uma das vacinas mais vendidas do mundo, a pneumocócica Prevnar 13, que no ano passado teve quase US$ 6 bilhões em vendas. Os reguladores também analisam uma vacina de alta performance contra pneumonia, com uma decisão esperada ainda neste ano, além de outras vacinas em andamento.

Para a farmacêutica, mais vacinas poderiam reduzir a dependência de medicamentos contra o câncer, que agora representam cerca de um quarto das vendas e um terço do portfólio geral de produtos da empresa.

Vacinas mais potentes também poderiam ajudar a Pfizer a competir com rivais como a GlaxoSmithKline PLC do Reino Unido e a Sanofi SA da França, ambas com negócios mais consolidados no ramo de imunizantes. As vendas globais de vacinas devem totalizar mais de US$ 64 bilhões em 2026, quase o dobro do total do ano passado, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Evaluate Ltd.

O sucesso das vacinas é desafiador pois elas geralmente levam mais de uma década para serem desenvolvidas, com muitas falhando durante os testes. Além disso, a tecnologia de mRNA não foi comprovada além da covid-19, e concorrentes como a Moderna, têm mais experiência com a tecnologia.

 

 

Com as vacinas de mRNA, as moléculas levam instruções às células para a produção de proteínas, que então treinam o sistema imunológico para se defender contra um vírus. A maioria das vacinas usa uma parte enfraquecida ou inativa de um vírus para desencadear uma resposta imunológica.

A primeira investida da Pfizer na tecnologia veio em 2018, quando ela se associou à BioNTech para fazer uma vacina contra a gripe com base na plataforma de mRNA da empresa alemã. A parceria levou à colaboração das empresas na luta contra a covid-19 há um ano. Com o trabalho sendo iniciado pela BioNTech, a Pfizer se juntou à alemã para acelerar o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição da vacina.

As duas empresas continuarão a colaborar no enfrentamento do coronavírus. Mas agora, depois de concluir etapas cruciais, como projetar e conduzir testes clínicos e obter matérias-primas especializadas para a fabricação, a Pfizer está confiante de que pode fazer vacinas de mRNA sozinha, segundo Bourla.

“Gostamos de trabalhar com a BioNTech, mas não precisamos trabalhar com a BioNTech”, disse ele. “Temos nossa própria experiência desenvolvida.”

Quando a parceria com a BioNTech terminar, em julho, a Pfizer assumirá a pesquisa, desenvolvimento e a fabricação da vacina contra gripe, e continuará a ter os direitos para comercializar o imunizante. A parceira alemã já até repassou certas informações técnicas para a Pfizer.

“Gostamos de trabalhar com a BioNTech, mas não precisamos trabalhar com a BioNTech. Temos nossa própria experiência desenvolvida.”

“Consideramos um grande avanço para as tecnologias de mRNA que empresas como nossa parceira Pfizer estejam se envolvendo na construção de sua própria estratégia de vacina”, disse um porta-voz da BioNTech.

Bourla disse que as apostas altas para buscar uma vacina contra covid-19 — sem financiamento público — valida sua decisão de seguir seu próprio pipeline de crescimento. A Pfizer aumentou os gastos com pesquisa e desenvolvimento em 21% desde que Bourla assumiu o comando da farmacêutica no início de 2019.

A chave para fazer vacinas de mRNA é possuir uma capacidade de fabricação suficiente, e a Pfizer construiu uma rede de produção sob medida. Fazer vacinas com esta tecnologia requer equipamento especial e matérias-primas que não estavam amplamente disponíveis antes da pandemia. Os cientistas da Pfizer aprenderam a produzir ingredientes essenciais para a injeção que antes dependiam de fornecedores externos.

Outra razão para se comprometer com o mRNA, segundo Bourla, é que a Pfizer prevê a produção de vacinas covid-19 por alguns (vários) anos, na expectativa de que as doses de reforço serão necessárias anualmente para manter a eficácia do imunizante.

O mercado global de vacinas contra o coronavírus poderia valer mais de US$ 15 bilhões em 2023 se vacinas anuais fossem necessárias, segundo estimativa da Bernstein Research. A Pfizer, que está dividindo o lucro da vacina contra covid-19 igualmente com a BioNTech, disse que espera cerca de US$ 15 bilhões em vendas da vacina este ano. Analistas do JPMorgan prevêem mais de US$ 10 bilhões em vendas da Pfizer-BioNTech no próximo ano e US$ 2,4 bilhões em 2025.

 

 

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