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A executiva que ignorou os padrões de perfeição e transformou uma submarca em um fenômeno bilionário

Jennifer Foyle transformou uma submarca em um gigante do varejo ao antecipar o desejo por beleza real. Agora, a executiva lidera a resistência contra a perfeição artificial

victoria  (DIVULGAÇÃO)

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Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 30 de abril de 2026 às 15h27.

No competitivo tabuleiro do varejo global, poucas jogadas foram tão audaciosas quanto o reposicionamento da Aerie. Em 2014, sob o comando de Jennifer Foyle, a marca de lingerie e roupas de descanso da American Eagle Outfitters decidiu abandonar o retoque digital de suas modelos.

Foi um xeque-mate no domínio cultural da Victoria's Secret, que na época ainda insistia em padrões de beleza inalcançáveis. Dez anos depois, a estratégia se provou não apenas ética, mas altamente lucrativa: a Aerie é hoje uma marca de US$ 2 bilhões e o principal motor de crescimento de sua controladora.

Hoje, Foyle enfrenta um novo desafio: a ascensão da Inteligência Artificial Generativa. Enquanto concorrentes flertam com modelos sintéticos para reduzir custos, a Aerie reafirma seu compromisso com o humano.

A nova campanha, estrelada por Pamela Anderson, satiriza as limitações da IA e lança o slogan "O real importa", proibindo explicitamente o uso de corpos ou pessoas geradas por algoritmos.

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O superpoder de ler o espírito do tempo

O sucesso da Aerie não é apenas uma questão de marketing, mas de inteligência de mercado aplicada. Foyle, que refinou seu olhar na Bloomingdale's ao lado de atuais CEOs da Gap e Abercrombie, possui uma sensibilidade aguçada para identificar lacunas no consumo. Foi essa visão que permitiu à marca dobrar sua receita em apenas cinco anos.

Enquanto a American Eagle faturou US$ 3,4 bilhões em 2025 com um crescimento modesto de 2%, a Aerie viu suas vendas comparáveis saltarem 23% no último trimestre.

A marca conseguiu capturar a preferência da Geração Z e de suas mães ao priorizar o conforto e a positividade corporal muito antes desses conceitos se tornarem clichês corporativos.

Da lingerie ao domínio do vestuário esportivo

A expansão da marca para novas categorias é um estudo de caso em escalabilidade. Em 2016, a incursão nos bralettes abriu caminho para a criação da Offline, submarca focada em vestuário esportivo.

A percepção de Foyle foi cirúrgica: ao notar que o negócio de leggings dentro da Aerie já valia US$ 100 milhões, ela decidiu que a categoria merecia uma operação independente.

O resultado foi um negócio de US$ 750 milhões por ano que avançou sobre o território de gigantes como Lululemon e Athleta. A pandemia de 2020 apenas acelerou essa trajetória, encontrando a Aerie perfeitamente posicionada para a demanda global por roupas macias, elásticas e focadas no bem-estar doméstico.

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