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99 lança delivery de compras e amplia disputa com iFood além da comida

Com testes em Goiânia, empresa aposta em supermercado, farmácia e pet para ganhar maior recorrência e margem

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 25 de março de 2026 às 15h18.

O delivery no Brasil entrou em uma nova fase. Depois de anos focado em refeições, o setor começa a avançar sobre categorias de maior frequência e margem, como supermercado e farmácia, e a disputa ganha novos contornos.

É nesse contexto que a 99 lança a 99Compras, nova frente de delivery da companhia, que começa a ser testada nesta terça-feira, 25, em Goiânia. A operação estreia com foco em supermercado, farmácia e pet shop, ampliando o escopo do aplicativo para além da mobilidade e da comida.

A escolha da capital goiana não é casual. A cidade já funcionou como laboratório para a 99Food em 2025 e volta a ser usada como base de testes antes de uma expansão mais ampla. A operação começa limitada, com número reduzido de pedidos por dia, enquanto a empresa ajusta a integração entre lojistas, consumidores e entregadores.

“Começamos por categorias essenciais do dia a dia do nosso consumidor, como supermercados, farmácias e pet shops, ampliando esse escopo dia após dia a fim de levarmos mais conveniência, acessibilidade e opções para os consumidores”, afirma Talita Poleto, diretora comercial da 99Compras.

O movimento acontece em um momento de pressão crescente no setor. A disputa por entregas rápidas deixou de ser apenas sobre comida e passou a envolver itens de alta recorrência, com impacto direto na frequência de uso dos aplicativos e, consequentemente, na rentabilidade.

Para onde vai a guerra do delivery

99 lança delivery de compras para testes em Goiânia (99/Divulgação)

A entrada da 99 em compras reforça um movimento do setor em que as plataformas deixam de ser apenas intermediadoras e passam a assumir mais controle da operação, seja com logística própria, seja com integração mais direta com o varejo.

A Rappi lançou recentemente o Turbo Farma, modelo que promete entregas de medicamentos em até 10 minutos a partir de dark stores, estruturas fechadas dedicadas ao preparo e envio de pedidos. Nesse formato, a companhia deixa de ser marketplace e passa a operar como farmácia, com estoque próprio e responsabilidade regulatória.

O racional é financeiro. O mercado farmacêutico movimenta cerca de 240 bilhões de reais no Brasil, com crescimento de 11% no último ano. Além disso, a categoria tem margem maior e recorrência elevada, com usuários frequentes comprando quase toda semana.

Outros players também avançam. O Mercado Livre chegou a adquirir uma farmácia para entrar diretamente no segmento. O iFood, líder do setor, já ampliou seu portfólio para além das refeições. E novas empresas, como a Keeta, da chinesa Meituan, anunciaram investimentos bilionários no país.

Nesse cenário, a 99 tenta ampliar seu escopo de atuação e aumentar a relevância dentro do dia a dia do consumidor.

Superapp como estratégia de sobrevivência

A aposta da companhia está ancorada na tese do superapp, modelo em que diferentes serviços convivem dentro de uma mesma plataforma para aumentar frequência de uso e retenção.

Hoje, a 99 reúne mobilidade, pagamentos digitais com a 99Pay, entregas com a 99Entrega e, mais recentemente, a retomada da 99Food. A 99Compras passa a ser mais uma camada dentro desse ecossistema.

Quanto mais serviços o usuário acessa dentro do mesmo aplicativo, maior a chance de recorrência e menor o custo de aquisição de clientes.

Com mais de 55 milhões de usuários no Brasil, a empresa tenta usar essa base como vantagem competitiva para acelerar a nova vertical. Ao mesmo tempo, amplia as oportunidades para lojistas e entregadores, que passam a ter mais um canal de venda e geração de renda dentro da plataforma.

“Como um superapp, a empresa combina mobilidade, logística, delivery e serviços financeiros em um mesmo lugar, simplificando a rotina e aumentando a eficiência e o alcance”, diz a empresa em nota.

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A 99 já indicou que pretende expandir o serviço após a fase de testes, replicando o modelo adotado com a 99Food. A estratégia inclui crescimento gradual de categorias e cidades, com base no aprendizado operacional.

A entrada em compras amplia o potencial de crescimento, mas também eleva o nível de complexidade. Mais categorias significam mais parceiros, mais logística e mais pontos de fricção na jornada.

A corrida deixou de ser apenas por quem entrega mais rápido. Passa a ser por quem consegue integrar melhor diferentes serviços e fazer isso de forma rentável.

No fim, o teste em Goiânia deve servir menos como prova de conceito e mais como termômetro de execução. Se conseguir equilibrar preço, conveniência e operação, a 99Compras deve ganhar tração.

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