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Como um sistema de gamificação de futebol virou empresa de marketing que fatura R$ 59 milhões

Sioux aposta em inteligência artificial, personalização e expansão internacional para sustentar crescimento e chegar a R$ 77 milhões em 2026

Philippe Capouillez, CEO Sioux Digital: “A gente quer ser parceiro de inovação dos clientes, não só executar projetos” (Divulgação)

Philippe Capouillez, CEO Sioux Digital: “A gente quer ser parceiro de inovação dos clientes, não só executar projetos” (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 25 de março de 2026 às 11h10.

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Antes da inteligência artificial dominar o marketing, uma empresa brasileira já apostava na interatividade para engajar usuários na internet. Trata-se da Sioux Digital, fundada em 2001, por Philippe Capouillez.

Ele apostou em inovações tecnológicas, como gamificação e interatividade. Hoje, a Sioux atende clientes como Santander e Adobe, combinando marketing, experiência do usuário e desenvolvimento tecnológico ao longo de toda a jornada digital.

Com a aposta na inteligência artificial e interatividade digital, a Sioux faturou R$ 59,5 milhões em 2025.

“Esse é o caminho que vai ser o futuro, que é experiência do usuário na internet, interação, toda essa jornada”, afirma Philippe Capouillez. 

O plano agora é ampliar presença internacional e reforçar o papel mais estratégico junto aos clientes, alcançando R$ 77 milhões em 2026. 

Da internet estática a personalização

Antes de fundar a Sioux, Philippe Capouillez criou um projeto que simulava uma “bolsa de valores” de jogadores de futebol, baseada em performance — uma experiência interativa para os fãs. 

“Criamos algo dinâmico, com interação. Vimos que tinha um potencial muito grande”, afirma.

Criou, então, uma empresa de marketing, que começou com quatro pessoas e sem área comercial estruturada. O diferencial foi apostar cedo em interatividade e gamificação — uso de mecânicas de jogos em outros contextos — para chamar atenção de clientes. Paulo Camargo, Flávio Augusto, Cris Arcangeli e mais: Quer receber mentoria gratuita? Inscreva-se no Choque de Gestão

Funcionou. Um dos primeiros contratos veio com o Banco Real, em um projeto digital voltado à educação financeira infantil que chegou a ganhar prêmio internacional.

O desafio inicial era básico. “Não era quanto vale o projeto, era quanto precisava fechar para pagar o mês”, afirma.

A virada veio com a profissionalização da gestão ainda no primeiro ano de funcionamento. A empresa estruturou controle financeiro, precificação e gestão — um movimento que, segundo o fundador, fez diferença inclusive para atrair um aporte do BNDES.

Outro ponto para o crescimento foi a mudança da atuação do fundador – do foco técnico para o estratégico. “Se eu ficasse programando, deixava de olhar o negócio”, afirma.

Integração de tecnologia

A empresa ampliou o escopo ao longo do tempo, incorporando mídia, comunicação e estratégia. O movimento veio na prática. Ao entregar projetos, clientes passaram a demandar soluções completas, da criação à distribuição.

A Sioux trabalha com soluções personalizadas. A empresa evita pacotes fechados e foca em resolver o problema do cliente.

A principal pressão vem da velocidade das mudanças tecnológicas.

Ao longo dos anos, a empresa não antecipava demandas, mas respondia rápido aos pedidos dos clientes. “Mais recentemente, começamos a testar soluções antes do cliente pedir”, diz.

Internamente, a empresa também reorganizou ao longo dos anos áreas de suporte. Times como financeiro e RH deixaram de ser apenas custo e passaram a atender outras empresas, gerando receita própria dentro do grupo. “Isso dá mais força para a área e melhora o produto”, afirma.

IA no centro da operação

A inteligência artificial passou a ser um dos principais eixos da empresa. A aplicação acontece em três frentes: desenvolvimento de soluções para clientes, uso interno em processos criativos e operacionais e automação na gestão. 

Um dos exemplos está em um projeto para o Santander. A empresa reformulou a experiência de visualização do holerite dos funcionários, tornando a informação mais clara e interativa. O resultado foi uma redução de 42% nas ligações ao RH, que somavam cerca de R$ 30 mil.

Outro exemplo é um concierge digital criado para uma empresa de turismo, que organiza roteiros de forma automática com linguagem natural. Outro é um podcast automatizado, que produz conteúdo diário sem intervenção manual.

A IA também mudou o ritmo de entrega. “Hoje, em cinco dias, a gente consegue mostrar uma solução funcional para o cliente”, afirma.

Crescimento e expansão internacional 

Em 2025, a Sioux iniciou a internacionalização pela Europa, com base em Portugal. A escolha foi pragmática: idioma, incentivos e porta de entrada para o continente.

Hoje, a operação local tem 5 clientes recorrentes. Apesar da proximidade do idioma, o comportamento do cliente europeu é diferente, o que exige ajustes na abordagem comercial e no tipo de solução oferecida.

A empresa também atende alguns clientes em mercados como México, Estados Unidos e casos pontuais em regiões como Austrália e Dubai.

“Portugal é a nossa porta de entrada para a Europa. Estar lá não é só atender o país, é ganhar acesso a um mercado muito maior”, diz Capouillez.

Para chegar ao faturamento de R$ 77 milhões, a empresa aposta na capacitação de novos clientes nacional e internacionalmente. 

Em 2026, o esforço está em mostrar toda a jornada de interação que pode ser construída com o cliente. “A gente quer ser parceiro de inovação. O negócio do cliente vai mudar — e a gente ajuda nessa transformação”, afirma.

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