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Entregadores por app bloqueiam vias de SP em protesto por melhores taxas e outras exigências

Paralisação faz parte do movimento “Breque Geral dos Apps”, no qual os profissionais da categoria cobram por melhores condições de trabalho

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 25 de março de 2026 às 15h05.

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Motociclistas bloquearam vias da Zona Sul de São Paulo na manhã desta quarta-feira, 25, com foco em reivindicações sobre remuneração e regras para atuação em aplicativos de entrega.

Entre os pontos afetados está a Avenida das Nações Unidas, na pista local da Marginal Pinheiros, nas proximidades da Ponte Estaiada.

A mobilização reúne cerca de 150 manifestantes nesse trecho da marginal, no sentido Castello Branco, segundo a Polícia Militar. Em Osasco, o protesto também provocou bloqueios, com a participação de aproximadamente 200 motociclistas.

O ato integra o movimento “Breque Geral dos Apps”, que pressiona contra o projeto de lei 152, conhecido como PL dos Apps, proposta em tramitação no Congresso Nacional. O texto está em análise na Câmara dos Deputados e ainda depende de votação para avançar no processo legislativo.

Quais são as reivindicações?

Os participantes afirmam que a mobilização busca melhores condições de trabalho e contestam exigências recentes relacionadas à atividade. Em manifestação, entregadores declararam que “não é crime e é direito do cidadão de bem em busca de melhoria”.

Outro ponto de contestação envolve a obrigatoriedade de cursos para atuação profissional. A categoria aponta ausência de prazo de adaptação. Em 2024, o Detran-SP passou a intensificar a fiscalização de uma norma já existente, que exige formação específica para motociclistas que realizam transporte de cargas ou passageiros.

A remuneração aparece como eixo central das reivindicações, com cobrança por pagamentos integrais e revisão das taxas repassadas pelos aplicativos. Segundo os manifestantes, há registros de corridas de até seis quilômetros pagas no valor mínimo, cerca de R$ 7 para bicicletas e R$ 7,50 para motos, sem variação por distância, horário ou condições da entrega.

Os trabalhadores também defendem a criação de uma taxa de espera, equivalente a 10% do valor da corrida, como forma de compensação por períodos de inatividade durante as entregas.

Pressão sobre o modelo de trabalho em aplicativos

O protesto ocorre em meio a discussões sobre regulamentação do trabalho em plataformas digitais, tema que envolve empresas de tecnologia, trabalhadores e o poder público. O PL dos Apps propõe diretrizes para a atuação de entregadores e motoristas vinculados a aplicativos, incluindo regras sobre remuneração e proteção social.

A mobilização amplia a pressão sobre o Congresso Nacional em um momento em que o projeto ainda está em fase de análise e sem previsão definida para votação em plenário.

Trabalhadores por aplicativos quase triplicam em 10 anos e já representam 2,1% da população ocupada

Propostas do governo federal

Um grupo de trabalho do governo federal apresentou nesta terça-feira, 24, um relatório com propostas para regulamentar o trabalho por aplicativos, incluindo pagamento mínimo de R$ 10 por corrida.

O documento sugere também acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro em trajetos superiores a 4 km, além de pagamento integral em casos de entregas agrupadas. A proposta surge como alternativa ao texto que já tramita na Câmara dos Deputados.

"Propõe-se a elevação do piso por serviço para R$ 10,00 até o limite de 4 Km, sem aumento do custo do serviço ao usuário, garantindo o atendimento da reivindicação da categoria e que a retribuição mínima seja compatível com os custos operacionais", sugere o relatório.

O grupo reúne representantes de entregadores, motoristas de aplicativos e integrantes de sete ministérios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa busca consolidar sugestões para a regulamentação do setor.

“Eu diria que hoje é um dia histórico, porque pela primeira vez no Brasil os trabalhadores por aplicativo, motoristas de Uber, estão sendo enxergados e tirados da invisibilidade”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

'Justiça remuneratória'

O documento aponta que o valor mínimo de R$ 10 por corrida atende a demandas apresentadas pela categoria. O adicional por quilômetro, segundo o relatório, contribui para o que o documento define como “aprimoramento da justiça remuneratória”.

“Essas mentiras que levam desinformação para a sociedade, que dizem que quando estamos defendendo ganho para os motoristas estamos defendo a taxa, essas mentiras servem às plataformas. Apesar do ambiente de fake news, envenenar o debate público, nosso governo vai permanecer firme ao lado dos trabalhadores”, declarou Boulos.

Pontos de apoio e transparência nos preços

Durante a apresentação, o governo anunciou duas portarias voltadas aos trabalhadores por aplicativo, com foco em infraestrutura e transparência de ganhos.

Uma das medidas prevê a criação de 100 pontos de apoio, com estrutura que inclui banheiros, água, vestiários, áreas de descanso e acesso à internet.

Outra portaria trata da transparência na composição de preços no delivery. Segundo Boulos, as plataformas deverão informar quanto do valor pago é destinado ao entregador por aplicativo, à empresa e ao restaurante.

“Eles [plataformas] começaram a dizer que ia explodir o custo do delivery. Com essa portaria de transparência, eles vão colocar quanto o entregador vai ganhar, quanto eles [plataformas] estão ganhando e quanto é para o restaurante. Vamos começar a desmistificar a narrativa das grandes plataformas”, afirmou.

*Com informações da Agência O Globo.

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