3 regras que colocam as empresas na mira dos Private Equity

Qual o perfil das companhias buscadas pelos investidores, segundo eles próprios

	Tok Stok: 60% da empresa foi comprada pelo Carlyle recentemente por R4 700 milhões
 (markhillary/Flickr)
Tok Stok: 60% da empresa foi comprada pelo Carlyle recentemente por R4 700 milhões (markhillary/Flickr)
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Tatiana VazPublicado em 20/09/2012 às 19:23.

São Paulo – O potencial de crescimento do mercado brasileiro, em meio à dificuldade econômica de outros países, tem atraído cada vez mais a atenção de investidores reunidos em private equity. Com grande apetite a risco e muito dinheiro no bolso, esses fundos estão em busca de empresas que possam trazer retornos maiores em comparação com outros ativos.

O capital disponível para tal finalidade nunca foi tão grande. “Há hoje estimados 12 bilhões de dólares para serem investidos em cerca de 500 companhias brasileiras, um recorde”, afirmou Patrice Etlin, sócio da Advent International, durante o Conef, Congresso Nacional de Executivos de Finanças, realizado hoje na capital paulista. A Advent tem investimentos na Kroton, Quero-Quero, Dufry, entre outras empresas.

No evento, executivos do setor de finanças debateram sobre como investimentos desse tipo já evoluíram no país e os desafios para que novos aportes aconteçam. “No Brasil, o mercado financeiro ainda é maior que o de capitais, situação diferente do que acontece em países mais desenvolvidos, e nosso desafio é chegar nesse patamar”, disse Manoel Felix de Cintra Neto, presidente do Banco Indusval & Partners.

Ao serem questionados sobre quais empresas estariam no alvo das private equity, os executivos foram quase que unânimes: não há um setor ou um nome específico a dar, mas há o perfil das companhias que se enquadram entre as desejadas. Os atributos delas são:

Governança

Quanto mais transparente, ética, com as contas organizadas e metas claras melhor. “Não há porque investir em uma empresa em que mal conheço o sócio, sem saber como exatamente a operação funciona”, disse Floriano Bartunek, CIO da Constellation Asset Management.


Competividade

Companhias que atuam com negócios ligados a consumo, como varejo, serviços financeiros e educação, estão em alta. As que atuam em óleo e gás, energia, concessão de portos e outros ramos ligados à estrutura também estão na mira. Ao contrário, companhias de setores mais cíclicos e ligados a commodities, como celulose, já não chama tanta atenção neste momento. Isso explica um dos motivos que fez com que pelo menos cinco fundos de private equity se interessarem pela compra de 60% da rede Tok&Stok, fechada com o Carlyle recentemente por 700 milhões de reais.

Retenção

“Se antes o Brasil tinha profissionais talentosos dentro e fora das empresas, mas não tinha capital, hoje o cenário é inverso: falta pessoas bem preparadas no mercado de trabalho. As companhias que sabem reter e reconhecer seus melhores talentos saem na frente na competição do mercado”, afirmou Jean-Marc Etlin, vice-presidente executivo do Itaú BBA.