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Xi liga para Lula e diz que China e Brasil devem fortalecer o Sul Global e a ONU

Segundo a Xinhua, o presidente chinês defendeu a preservação do papel central das Nações Unidas e a promoção da equidade e da justiça internacionais

Os presidentes Lula e Xi Jinping, em imagem de arquivo (Ricardo Stuckert / PR)

Os presidentes Lula e Xi Jinping, em imagem de arquivo (Ricardo Stuckert / PR)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 07h03.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, nesta quinta-feira, 22, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

De acordo com a Xinhua, Xi disse a Lula que China e Brasil devem aprofundar a cooperação estratégica e atuar de forma conjunta para proteger os interesses do Sul Global, defender a equidade internacional e fortalecer o papel central das Nações Unidas.

O líder chinês afirmou que os dois países compartilham responsabilidades em um cenário internacional marcado por instabilidade e tensões geopolíticas. Segundo a agência chinesa, Xi defendeu que Pequim e Brasília trabalhem juntas para promover uma ordem internacional mais justa, baseada no multilateralismo e no respeito ao desenvolvimento dos países emergentes.

Ainda segundo a Xinhua, Xi declarou que a China está disposta a “sempre ser uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe” e a promover “a cooperação mutuamente benéfica em todas as áreas”, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento das relações bilaterais.

A agência chinesa também informou que Xi ressaltou que, em 2024, ele e Lula anunciaram a elevação das relações bilaterais, com foco na construção de um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.

De acordo com o presidente chinês, esse processo ganhou impulso ao longo do último ano, com maior alinhamento das estratégias de desenvolvimento entre os dois países, servindo como exemplo de cooperação entre países do Sul Global.

Segundo a Xinhua, Lula afirmou que a visita de Xi ao Brasil, em 2024, elevou as relações Brasil-China a um novo patamar e resultou em avanços significativos na cooperação em diversas áreas. O presidente brasileiro disse que o Brasil está disposto a trabalhar com a China para fortalecer ainda mais as relações bilaterais e os laços entre a China e a América Latina.

De acordo com a agência chinesa, Lula também destacou que Brasil e China são forças importantes na defesa do multilateralismo e do livre comércio e que, diante da conjuntura internacional, o Brasil pretende atuar em estreita cooperação com a China para salvaguardar a autoridade da ONU, fortalecer a cooperação no âmbito do BRICS e contribuir para a paz e a estabilidade regional e global.

O governo federal brasileiro ainda não se pronunciou sobre a ligação.

'Conselho da Paz' de Trump

A conversa ocorreu no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente o chamado “Conselho da Paz”, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Cerca de 30 dos 60 líderes convidados participaram do lançamento do conselho, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei. O presidente Lula foi convidado a integrar a iniciativa, mas ainda não respondeu ao convite. Nenhum grande aliado ocidental esteve presente na cerimônia.

Em discurso no evento, Trump criticou a ONU e afirmou que o novo conselho dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”. O contexto internacional também é marcado por tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, após ações recentes do governo americano na Venezuela e ameaças de novas ofensivas em outras regiões.

Segundo informações divulgadas, Lula também conversou na quinta-feira com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

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