Vice-presidente argentino diz que não renunciará

Amado Boudou ressaltou à rádio que "de nenhuma maneira" vai renunciar nem vai solicitar uma licença de seu cargo no governo porque é "inocente"

Buenos Aires – O vice-presidente do governo argentino, Amado Boudou, disse nesta sexta-feira que não renunciará nem tirará uma licença, apesar da intimação judicial para depor como acusado de corrupção, por supostas negociações incompatíveis com a função pública e enriquecimento ilícito.

Boudou ressaltou à Rádio 10 que “de nenhuma maneira” vai renunciar nem vai solicitar uma licença de seu cargo no governo porque é “inocente”.

O vice-presidente acrescentou que “certamente” vai se apresentar para depor ao juiz e que recebeu a notícia “com muita tranquilidade” porque esperava o momento para “poder demonstrar” sua inocência.

Boudou deverá ir como réu ao tribunal liderado pelo juiz federal Ariel Lijo, encarregado do Caso Ciccone, no dia 15 de julho.

O processo investiga a suposta compra irregular da imprensa de papel-moeda Ciccone Calcográfica por parte de um empresário próximo ao vice-presidente.

Boudou disse não ter medo de ser condenado, já que, alegou, não há nada de que possa ser acusado porque não há nenhuma situação na qual “tenha agido à margem da lei”.

“Juro e sustento e vou provar isso quando for à audiência”, reiterou.

Quanto à possibilidade de ser processado judicialmente, Boudou disse que “seria continuar avançando em uma causa que é claramente midiática”.

O funcionário afirmou que a citação lhe dá “a possibilidade de esclarecer este escândalo que realmente se transformou em uma operação de imprensa permanente desde o diário Clarín e desde o diário La Nación”.

Boudou atribuiu a investigação contra ele a vinganças relacionadas a interesses empresariais opostos às políticas que desenvolveu desde a pasta de Economia (2009-2011).

Por sua vez, o chefe de Gabinete do Executivo de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, disse hoje que “o vice-presidente da nação sempre manifestou sua vontade de cumprir todas as instâncias judiciais diante de qualquer eventual convocação de um juiz da República, portanto, está à disposição da Justiça como sempre”.

“Eu sou parte do governo – disse Boudou ao ser perguntado se continua tendo com o apoio do Executivo – portanto não é que sinto ou não sinto apoio mas sou parte do governo e levo adiante a tarefa de vice-presidente da nação e vou a seguir fazendo isso”.

É a primeira vez que um vice-presidente do governo em exercício é chamado a depor como réu nos tribunais na Argentina.

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