Jogadores da Venezuela comemoram classificação para a final do WBC, em Miami (Alberto Boal/EFE)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 17 de março de 2026 às 12h14.
Última atualização em 17 de março de 2026 às 17h15.
Os Estados Unidos e a Venezuela terão, nesta terça-feira, 17, mais um capítulo de sua inesperada reaproximação: um jogo de beisebol entre as duas seleções.
Os dois países chegaram à final do World Baseball Classic (WBC), a Copa do Mundo do esporte, que será disputada na noite desta terça, a partir das 21h, em Miami.
O jogo ocorre em um contexto político complexo.
Em janeiro, forças americanas invadiram a Venezuela e prenderam o presidente Nicolás Maduro. Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu como presidente interina e fechou uma série de acordos com os EUA. Houve ameaças de que, se ela não colaborasse, poderia ter o mesmo destino de Maduro.
Esta é a primeira vez que a Venezuela chega à final do torneio, disputado desde 2006, e a conquista uniu o país. Tanto membros do governo quanto da oposição celebraram o feito.
O deputado Henrique Capriles, que já disputou a Presidência contra Hugo Chávez, disse que o time jogou "com coração, garra, força e talento que fizeram do beisebol a identidade da Venezuela".
A presidente, Delcy Rodríguez, publicou um vídeo no qual disse que os jogadores serão recebidos como campeões. "Obrigado por encher o país de alegria e orgulho", afirmou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também elogiou a conquista e fez ironias. "A Venezuela derrotou a Itália por 4-2 no WBC. Estão jogando realmente muito bem. Ultimamente, estão acontecendo coisas boas para a Venezuela. Me pergunto a que se deve esta magia. Estado número 51?", disse ele na rede Truth Social.
Os EUA têm 50 estados, e Trump costuma se referir a outros territórios que poderiam passar a fazer parte do país como "estado 51".
Nicolás Maduro: ditador venezuelano e sua mulher, Cilia Flores, são conduzidos por agentes da força policial dos EUA após captura no início de janeiro (XNY/Star Max /Getty Images)
O beisebol é forte em ambos os países. Os Estados Unidos atuaram por décadas na exploração de petróleo na Venezuela, e levaram o esporte para lá no século 20. A Venezuela é o segundo país que mais envia jogadores para a liga de beisebol dos EUA, a MLB, atrás só da República Dominicana.
No entanto, os venezuelanos nacionalizaram o petróleo nos anos 1970 e foram se afastando dos EUA. Nos governos dos presidentes Hugo Chávez (1999-2013) e Nicolás Maduro (2013-2026), a Venezuela foi alvo de sanções por parte dos EUA, e os líderes do país começaram a tratar os americanos como inimigos nacionais.
O cenário mudou este ano após a queda de Maduro. Os dois países retomaram as relações diplomáticas e comerciais, mas com os Estados Unidos impondo uma série de medidas, como o controle da exportação de petróleo venezuelano.
A Venezuela nunca foi campeã do WBC. Sua melhor posição foi o terceiro lugar em 2009. Já os Estados Unidos venceram em 2017 e ficaram em segundo lugar em 2023.
O Mundial é disputado antes do início da temporada anual de beisebol nos EUA, e ambos os times têm jogadores que atuam na MLB, a liga de beisebol americana.
Os jogadores de destaque dos EUA são Aaron Judge, ídolo do New York Yankees, além de vários grandes nomes da liga, como Bryce Harper (Philadelphia Phillies), Tarik Skubal (Detroit Tigers) e Paul Skenes (Pittsburgh Pirates).
Pela Venezuela, os principais nomes são Ronald Acuña Jr. (Atlanta Braves), Luis Arraes (San Francisco Giants) e Salvador Pérez (Kansas City Royals).
A final, em partida única, será disputada a partir das 21h em Brasília. No Brasil, haverá transmissão pela ESPN e Disney+.
Com EFE.