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Sucessão na ONU: candidatos vão à nova sondagem, mas jogo do veto começa em outubro

Sem consenso na quarta rodada, a corrida por suceder Guterres pode se arrastar, como em 2016, quando levou seis sondagens

Abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU: a última com o português António Guterres à frente da organização. (UN Photo/Laura Jarriel)

Abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU: a última com o português António Guterres à frente da organização. (UN Photo/Laura Jarriel)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 12h52.

Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 13h10.

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O Conselho de Segurança da ONU realiza nesta terça-feira, 29, a quarta sondagem informal da corrida para suceder António Guterres. A votação, porém, ainda não é a que decide.

O teste que vale começa em outubro, quando entram em cena as cédulas que mostram, pela primeira vez, quais dos cinco membros permanentes estão dispostos a vetar.

À medida que essa fase se aproxima, os Estados Unidos surgem como o principal obstáculo.

A fase do veto

Para vencer, um candidato precisa de ao menos nove votos favoráveis entre os 15 integrantes do Conselho e de nenhum veto entre os cinco membros permanentes, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.

Até aqui, as sondagens são anônimas. Portanto, não dá para saber se os votos contrários a um nome vêm de membros eleitos, sem poder de veto, ou de uma das potências.

Isso muda em outubro, quando a Grécia assume a presidência rotativa do Conselho e passam a valer as cédulas coloridas, que distinguem os votos dos permanentes dos demais.

É também a fase em que costuma aparecer o veto que enterra uma candidatura antes da votação formal.

A escolha do próprio Guterres, em 2016, só se definiu na sexta sondagem, sinal de que a disputa ainda pode ter várias rodadas pela frente.

Washington no centro

Nenhum dos cinco permanentes se manifestou publicamente contra a favorita, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da UNCTAD, a agência da ONU para comércio e desenvolvimento.

Nos bastidores, uma fonte próxima ouvida pela EXAME em Nova York afirmou que, embora o voto seja secreto, dois dos apoios a ela vieram de Rússia e China, o que afasta o risco de bloqueio por esse lado e joga o peso da decisão sobre Washington.

Contra a segunda colocada, os Estados Unidos já fecharam questão. Representante da Guiana na ONU desde 2020, Carolyn Rodrigues-Birkett enfrenta a oposição americana, segundo o New York Times, pela forma como classificou a ofensiva israelense em Gaza.

Em 2024, ao discursar no Conselho de Segurança, a diplomata disse haver 'um verdadeiro genocídio em curso' no território.

Embora o Departamento de Estado não tenha confirmado a intenção de barrá-la e afirme estar buscando um nome disposto a promover uma reforma profunda da ONU, com gestão mais eficiente e estrutura mais enxuta, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, passou a pedir publicamente o apoio das potências à conterrânea.

Enquanto isso, o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e aposta inicial dos Estados Unidos, tenta reagir.

Nos bastidores, tem investido nas relações com os permanentes e foi visto em conversas com autoridades da Rússia e do Egito, atrás de apoios que as sondagens ainda não mostram.

E em artigo publicado há uma semana na revista The Economist, apresentou-se como o reformador que Washington diz querer, ao defender que a ONU pare de 'tentar ser tudo para todos' e faça 'menos, e melhor'.

A disputa até então

Nas prévias, cada um dos 15 integrantes do Conselho indica, em cédula anônima, se "encoraja", "desencoraja" ou "não tem opinião" sobre cada nome.

Com a desistência da chilena Michelle Bachelet, apoiada por Brasil e México, restam sete candidatos, quatro mulheres e três homens.

Na terceira consulta, em 18 de setembro, Grynspan liderou, com nove encorajamentos, cinco votos contrários e uma abstenção. Rodrigues-Birkett veio logo atrás, com oito favoráveis e seis contra.

Mais distantes e com placar apertado, aparecem o ugandês Olara Otunnu, com cinco encorajamentos, e Grossi e o senegalês Macky Sall, também com cinco cada.

O desfecho não tem data marcada, mas deve vir em outubro, quando o Conselho costuma fechar em torno de um único nome e o envia à Assembleia Geral, que referenda a escolha.

O novo secretário-geral assume em 1º de janeiro de 2027, no lugar do português, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro.

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