Mundo

'Uma loucura', diz Macron sobre novas ameaças tarifárias de Trump

Presidente da França afirmou que ameaças podem levar, pela primeira vez, EUA a serem alvos do mecanismo "anticorrupção" da União Europeia

Emmanuel Macron: presidente da França durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.  (Fabrice COFFRINI / AFP via Getty Images)

Emmanuel Macron: presidente da França durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. (Fabrice COFFRINI / AFP via Getty Images)

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 11h29.

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta terça-feira, 20, que as novas ameaças tarifárias de Donald Trump são "loucura".

A fala aconteceu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que reúne as principais lideranças do mundo.

"O que não faz sentido é ter tarifas entre aliados. Não faz sentido ter tarifas e estarmos divididos. Nem mesmo ameaçar agora com tarifas adicionais", disse o presidente da França.

Segundo Macron, os Estados Unidos podem, pela primeira vez, serem alvo do mecanismo "anticorrupção" da União Europeia caso o país imponha mais taxas em meio à escalada na situação com a Groelândia.

No último final de semana, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, com aumento para 25% em junho, caso não haja um acordo para a “compra da Groenlândia”, território semiautônomo da Dinamarca, aliada da Otan e integrante da UE. A escalada levou líderes europeus a afirmarem que o presidente americano ultrapassou uma linha vermelha.

"Isso é uma loucura. Eu lamento, mas é uma consequência da imprevisibilidade e de uma agressividade inútil. O que temos de fazer é permanecer muito calmos. Temos uma agenda com tantas oportunidades e tantos desafios", completou Macron.

O presidente francês propôs a Trump a realização de uma cúpula do G7 em Paris, na quinta-feira, 22, com a possibilidade de convidar representantes da Rússia para encontros paralelos à reunião principal.

A proposta foi feita em uma mensagem privada enviada por Macron a Trump e posteriormente divulgada pelo próprio presidente americano em sua rede social, a Truth Social. A equipe do presidente francês confirmou nesta terça-feira, 20, a autenticidade da mensagem.

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, países europeus romperam quase todos os contatos com Moscou, com o objetivo de isolar o presidente Vladimir Putin, abrindo exceções pontuais apenas para canais diplomáticos específicos.

Ucrânia, Groenlândia e Síria entram na proposta francesa

Na mensagem publicada por Trump, Macron também sugeriu a participação de ucranianos, dinamarqueses — para tratar da questão da Groenlândia — e sírios nas discussões paralelas à eventual reunião do G7.

“Meu amigo, estamos totalmente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas no Irã. Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”, escreveu Macron na mensagem endereçada ao presidente americano.

UE diz que ameaça tarifária de Trump por Groenlândia viola acordo comercial

Trump tem defendido que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, alegando razões de segurança nacional. Segundo o presidente americano, sem a presença dos EUA, a ilha poderia ficar sob influência da China ou da Rússia.

Macron afirmou ainda que poderia organizar a reunião “na tarde de quinta-feira, depois de Davos”, na Suíça, e convidar “ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos” para conversas paralelas ao encontro do G7.

Apesar da proposta, o Kremlin informou à AFP que ainda não recebeu nenhum convite oficial para participar de negociações em Paris.

*Com informações da AFP 

 

Acompanhe tudo sobre:Emmanuel MacronDavosDonald Trump

Mais de Mundo

Laura Fernández: quem é a nova presidente 'linha dura' da Costa Rica

Costa Rica decide eleição no 1º turno com campanha focada em segurança

Irã alerta que eventual guerra contra os EUA seria 'catastrófica' para todos

Trump diz esperar acordo com o Irã após ameaça de guerra regional