Redação Exame
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 12h44.
A União Europeia (UE) afirmou nesta terça-feira, 6, que manterá os contatos com o governo de Delcy Rodríguez na Venezuela.
Segundo o bloco, eles vão a se relacionar da mesma forma que faziam com autoridades venezuelanas que não consideravam legítimas, com o objetivo de "salvaguardar seus interesses e defender seus princípios".
"O que faremos neste caso é o que fizemos até agora, embora não tenhamos reconhecido a legitimidade do presidente (deposto pelos Estados Unidos, Nicolás) Maduro, e o mesmo no caso de Delcy Rodríguez", declarou a porta-voz comunitária Anitta Hipper durante a entrevista coletiva diária da Comissão Europeia.
A porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, destacou que o bloco manterá "um compromisso específico com as autoridades venezuelanas para salvaguardar nossos próprios interesses e defender nossos próprios princípios".
Hipper lembrou que, para a UE, as autoridades da Venezuela "derivam seu mandato de um processo eleitoral que não respeitou a vontade do povo em favor da mudança democrática" nas eleições de 28 de julho de 2024.
Nesse sentido, insistiu que "o futuro da Venezuela deve ser configurado precisamente por meio de um diálogo inclusivo que conduza a uma transição democrática e, portanto, inclua todos os atores comprometidos com a democracia, entre eles as figuras dos líderes da oposição eleitos democraticamente".
Questionada se a UE planeja revisar as medidas restritivas que impôs contra Rodríguez, que incluem a proibição de entrar em território comunitário, Hipper disse que "no que diz respeito às sanções, todas as decisões são tomadas por unanimidade entre nossos Estados-membros, e não posso antecipar nem prejulgar nada deste trabalho".
No domingo, Kallas publicou uma declaração em nome de 26 dos 27 Estados-membros (todos menos a Hungria), na qual pediu "calma e moderação de todos os atores, com o fim de evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise".
Além disso, pediu respeito aos princípios do direito internacional e à Carta das Nações Unidas.
"Os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas têm a responsabilidade especial de defender esses princípios, como pilar da arquitetura de segurança internacional", acrescentou, sem mencionar os Estados Unidos.
Kallas referiu-se igualmente nessa declaração ao fato de Maduro "carecer da legitimidade de um presidente eleito democraticamente" e lembrou que a UE tem defendido uma "transição pacífica rumo à democracia no país, liderada pela Venezuela e respeitosa com sua soberania", de maneira que se respeite "o direito do povo venezuelano de decidir seu futuro".
*Com informações da EFE