UE e Mercosul concluem rodada comercial sem avanços

Blocos irão elaborar melhor suas propostas internamente antes da próxima rodada de negociações, ainda sem data definida

Bruxelas - Os países da União Europeia (UE) e do Mercosul concluíram nesta sexta-feira em Bruxelas uma nova rodada de negociações para um acordo de associação, na qual resolveram continuar os "trabalhos internos" com objetivo de decidir uma data para iniciar a troca de ofertas comerciais.

Esta foi a quarta rodada de trabalho entre as duas regiões desde o reinício das negociações em maio do ano passado, após ter permanecido estagnadas por vários anos.

Os chefes negociadores europeus e sul-americanos mantiveram reuniões a portas fechadas em um centro de convenções da capital belga onde a Comissão Europeia pediu expressamente que não houvesse presença de jornalistas.

Em um breve comunicado conjunto, a UE e o Mercosul informaram que vão continuar seu "trabalho interno para preparar melhores ofertas de acesso a mercados" de seus produtos.

Além disso, afirmaram que, "quando completarem esse trabalho, decidirão então conjuntamente a data para uma troca simultânea de ofertas".

Questionado ao término da reunião, o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração do Paraguai, Manuel María Cáceres, cujo país preside atualmente o Mercosul, recusou comentar sobre o resultado da reunião.

Esta semana, o diretor-geral adjunto de Comércio e chefe negociador da Comissão Europeia, João Aguiar Machado, indicou que "nunca esteve previsto" apresentar ofertas ao longo desta quarta rodada de negociação, e descartou pressões por parte dos produtores agrários europeus que se declaram contrários ao tratado.

No entanto, diversas fontes ligadas ao Mercosul assinalaram nesta sexta-feira que confiaram até o último momento que a Comissão - que negocia em nome dos 27 países da UE -, apresentará propostas nesse sentido.

Tais fontes asseguraram que a parte sul-americana estava "preparada" para expor as linhas gerais de suas ofertas.


Os produtores de carne europeus constituem um dos setores que mais protestou contra um eventual acordo com o grupo formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - alguns deles líderes mundiais na produção de carne -, e um recente estudo realizado pelas organizações agrárias e cooperativas europeias apontam perdas de 25 bilhões de euros.

Além disso, o plenário do Parlamento Europeu pediu há duas semanas à Comissão que não faça concessões agrícolas consideradas muito negativas para os produtores europeus.

O comissário de Agricultura europeu, Dacian Ciolos, assegurou na quinta-feira aos ministros comunitários do ramo, durante um Conselho em Bruxelas, que se a UE faz "esforços difíceis" em agricultura, é "essencial" que os países do Mercosul cheguem a um "nível de ambição equivalente".

Na sua opinião, "está claro" que a UE "estará sob pressão" para oferecer uma abertura de mercado "considerável" em setores agrícolas importantes, disse aos ministros dos países europeus, entre os que França e Irlanda lideram entre os que mais se opõem ao acordo.

O comissário afirmou que a prioridade agrícola para os europeus inclui os queijos e outros produtos lácteos, os vinhos e o azeite de oliva, assim como a proteção de diferentes indicações geográficas e denominações de origem.

Ao Mercosul lhe solicitou uma oferta "que seja aceitável" para a UE sobre produtos industriais, liberalização de serviços, acesso aos mercados públicos, propriedade intelectual e taxas à exportação.

Nesta semana 11 grupos de trabalho se reuniram centrados na parte normativa do acordo, e alcançaram "progressos" em áreas como regras de origem, compras públicas, serviços e investimentos e competência.

Além disso, as partes comunicaram que as próximas rodadas de negociações serão realizadas entre os dias 2 e 6 de maio em Assunção sob a Presidência pro tempore paraguaia do Mercosul, e entre os dias 4 e 8 de julho novamente em Bruxelas.

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