Estreito de Ormuz volta a ser palco de tensão aos 100 dias de guerra (Stringer/Reuters)
Redação Exame
Publicado em 7 de junho de 2026 às 11h59.
O Estreito de Ormuz voltou ao centro das tensões entre Estados Unidos e Irã neste domingo, 7, após as forças americanas anunciarem a derrubada de dois drones iranianos na região. O episódio ocorre cem dias após o início da guerra no Oriente Médio.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), as forças americanas permanecem em alerta e prontas para responder a novas ações iranianas.
O incidente acontece poucos dias depois de os Estados Unidos anunciarem a derrubada de outros quatro drones iranianos e ataques contra instalações de radares costeiros do país. Em resposta, Teerã lançou mísseis contra instalações militares no Kuwait e no Bahrein, aliados de Washington, aumentando os receios de uma nova escalada regional.
Apesar dos esforços, as conversas entre Estados Unidos e Irã permanecem sem avanços significativos. Nos últimos dias, os dois governos evitaram declarações públicas sobre as negociações, que no fim de maio eram tratadas com maior otimismo.
O Paquistão continua atuando como mediador. Neste domingo, o ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, esteve em Teerã e entregou uma carta ao líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei. Segundo a televisão estatal iraniana, a mensagem continha informações consideradas importantes, embora seu conteúdo não tenha sido divulgado.
Enquanto isso, a Casa Branca busca uma saída para um conflito que se tornou impopular nos Estados Unidos. Já o governo iraniano sustenta que conseguiu impor um revés estratégico aos adversários, apesar das perdas de lideranças militares e do impacto dos bombardeios sobre a população civil.
Desde o cessar-fogo firmado em 8 de abril, os confrontos diminuíram significativamente. Ainda assim, o Estreito de Ormuz ainda registra episódios de hostilidade.
A rota marítima é considerada uma das mais importantes do mundo para o transporte de combustíveis e permanece sob forte influência iraniana. O controle da região continua sendo um dos principais temas de divergência entre Teerã e Washington.
Além da questão marítima, os dois países seguem distantes em temas como o programa nuclear iraniano, os ativos congelados no exterior e as condições para um eventual acordo mais amplo.
As tensões não se limitam ao Golfo Pérsico. No Líbano, novos disparos contra Israel foram registrados neste domingo, apesar do cessar-fogo que teoricamente permanece em vigor.
Em resposta, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informou que as Forças Armadas realizaram ataques contra centros de comando do Hezbollah nos subúrbios ao sul de Beirute.
O Irã defende que qualquer entendimento com os Estados Unidos inclua também o fim das hostilidades entre Israel e o Hezbollah em território libanês. Washington, por sua vez, prefere negociar os dois temas separadamente.
*Com informações da AFP