UE alcança acordo para conter aumento nas contas de energia

Medidas de emergência podem incluir redução obrigatória da demanda de eletricidade e mais
União Europeia: bloco alcança acordo para conter aumento nas contas de energia (Yves Herman/Reuters)
União Europeia: bloco alcança acordo para conter aumento nas contas de energia (Yves Herman/Reuters)
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AFPPublicado em 30/09/2022 às 08:28.

Os ministros europeus da Energia chegaram nesta sexta-feira, 30, em Bruxelas a um acordo político sobre medidas de emergência para tentar conter os elevados valores das contas de energia, antes da chegada antecipada do inverno boreal.

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A presidência da República Tcheca anunciou que o acordo se refere a uma redução obrigatória da demanda de eletricidade, um teto para os lucros de produtores de energia não baseados em gás e uma contribuição solidária de geradores de energia baseados em combustíveis fósseis.

No entanto, os 27 países continuam divididos sobre a proposta de adotar um teto para o preço do gás importado na União Europeia (UE), ideia que enfrenta resistência principalmente da Alemanha, principal economia do bloco.

As preocupações com o aumento dos preços da energia já haviam sido expressas no final de 2021, mas desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro, a situação se transformou em uma crise de primeira magnitude.

Após a ofensiva russa, a União Europeia adotou uma série de sanções sem precedentes e, em retaliação, Moscou reduziu drasticamente sua oferta de gás natural, componente central para manter a indústria europeia em movimento.

"Estamos em uma guerra energética com a Rússia, o inverno está chegando e temos que agir agora", disse na reunião o ministro da Energia tcheco, Jozef Sikela, cujo país detém a presidência rotativa do Conselho Europeu.

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Discussão difícil

Um grupo de 15 países enviou esta semana uma carta à Comissão Europeia para defender a ideia de definir e adotar um preço máximo para o gás, como forma de conter o aumento imparável dos custos.

A ideia é adotar um teto de preços para todas as importações de gás para o bloco, que inclui gás por gasoduto da Rússia, mas também envios de gás natural liquefeito dos Estados Unidos e de outras fontes.

A Comissão Europeia, por outro lado, parece mais inclinada a limitar a medida ao gás importado da Rússia.

Neste cenário, a ministra espanhola Teresa Ribera disse ao chegar à reunião que a Comissão Europeia "ainda não encontrou o espaço em que todos os Estados-Membros possam responder positivamente".

Por isso, salientou, "efetivamente hoje não sairemos com uma conclusão definitiva num texto que possa ser implementado de imediato".

Vários países da UE adotaram medidas especiais de proteção para os consumidores privados pagarem as contas de luz, embora a medida tenha um custo enorme e, por isso, vários países pedem uma definição sobre sua continuidade.

A Comissão Europeia está tentando usar a cooperação unida durante a pandemia de coronavírus para forjar uma abordagem comum da UE sobre energia.

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