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Turquia reforça segurança após atentado atribuído ao EI

"A possibilidade mais forte é que se trate de um atentado suicida vinculado ao Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico)", afirmou o premier turco

Atentado na Turquia: pela primeira vez, a violência da guerra civil, que transcorre na Síria há quatro anos, golpeou diretamente a Turquia (Reuters/ Stringer)
DR

Da Redação

Publicado em 21 de julho de 2015 às 14h25.

O governo islâmico-conservador turco prometeu nesta terça-feira reforçar as medidas de segurança, no dia seguinte a um atentado suicida atribuído ao Estado Islâmico (EI) que causou a morte de 32 pessoas em Suruc, perto da fronteira com a Síria.

"Foi identificado um suspeito. Estamos verificando seus eventuais vínculos com o exterior ou na Turquia", declarou nesta terça, em Suruc, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, que insistiu na hipótese de o Estado Islâmico ser o autor do atentado.

"A possibilidade mais forte é que se trate de um atentado suicida vinculado ao Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico)", afirmou o premiê.

Pela primeira vez, a violência da guerra civil, que transcorre na Síria há quatro anos, golpeou diretamente a Turquia.

Davutoglu informou que o número de mortos subiu para 32 e que ainda há 29 pessoas hospitalizadas.

"O reforço da segurança na fronteira com a Síria vai continuar", enfatizou.

No atentado da véspera, uma explosão muito forte ocorreu no início da tarde no jardim do centro cultural da cidade e tinha como alvo um grupo de cerca de 300 jovens militantes de esquerda e pró-curdos, em sua maioria estudantes.

Segundo um membro do principal partido pró-curdo da Turquia, Alp Altinors, questionado pela AFP, esses jovens planejavam participar da reconstrução da cidade de Kobane, do outro lado da fronteira, completamente destruída durante a batalha entre o EI e os curdos.

Erdogan condenou o atentado e denunciou um "ato de terrorismo".

"Eu amaldiçoo e condeno os autores desta violência em nome do meu povo", declarou Erdogan.

A Turquia tem fortes motivos para acreditar que o EI esteja por trás do atentado em Suruc, uma vez que o grupo radical controla há mais de um ano vastos territórios no Iraque e na Síria, inclusive perto da fronteira turca.

Vários meios de comunicação turcos noticiaram que o suicida era uma jovem mulher de pouco mais de 20 anos. Essa informação não foi confirmada oficialmente.

Pouco tempo depois desta primeira explosão, um outro ataque com carro-bomba atingiu uma barreira de segurança das milícias curdas no sul de Kobane, do outro lado da fronteira, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O jornal Hürriyet afirmou que os serviços de segurança haviam advertido recentemente o governo sobre os riscos de um atentado em território turco.

O atentado de Suruc "é um deslocamento para o solo turco da guerra na Síria entre as milícias curdas e os jihadistas", opinou Nihat Ali Ozcan, do centro de estudos Tepav de Ancara.

"Esta estratégia poderá desencadear conflitos ideológicos, étnicos e políticos na Turquia", afirmou ainda.

O atentado suicida ocorre poucas semanas depois do reforço pelas autoridades turcas de sua presença militar na fronteira com a Síria. A medida foi tomada após a vitória das milícias curdas na batalha pelo controle de uma outra cidade fronteiriça, Tall Abyad.

De acordo com analistas, essa decisão do governo islâmico-conservador turco é destinada tanto para combater o EI, como para bloquear o avanço no norte da Síria das forças curdas. Esses grupos são ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que conduz desde 1984 uma rebelião contra Ancara.

Os países ocidentais criticam regularmente o governo de Ancara por sua neutralidade, ou complacência frente às organizações radicais em guerra contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, incluindo o EI.

A Turquia sempre negou as acusações, mas tem-se recusado a participar da coalizão militar antijihadista liderada pelos Estados Unidos.

A cidade de Suruc recebe milhares de refugiados curdos da Síria que deixaram a região de Kobane durante a ofensiva lançada pelo EI em setembro passado.

Esse ataque e os violentos combates que se seguiram causaram o êxodo de cerca de 200.000 pessoas para a vizinha Turquia. Segundo as autoridades locais turcas, apenas cerca de 35 mil sírios retornaram para casa desde o fim da batalha.

No final de junho, o EI lançou um ataque surpresa em Kobane, marcando seu retorno ao centro da cidade com três atentados suicidas. Os combates resultaram na morte de mais de 120 civis. Alguns dias depois, as milícias curdas retomaram o controle total da cidade.

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O governo islâmico-conservador turco prometeu nesta terça-feira reforçar as medidas de segurança, no dia seguinte a um atentado suicida atribuído ao Estado Islâmico (EI) que causou a morte de 32 pessoas em Suruc, perto da fronteira com a Síria.

"Foi identificado um suspeito. Estamos verificando seus eventuais vínculos com o exterior ou na Turquia", declarou nesta terça, em Suruc, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, que insistiu na hipótese de o Estado Islâmico ser o autor do atentado.

"A possibilidade mais forte é que se trate de um atentado suicida vinculado ao Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico)", afirmou o premiê.

Pela primeira vez, a violência da guerra civil, que transcorre na Síria há quatro anos, golpeou diretamente a Turquia.

Davutoglu informou que o número de mortos subiu para 32 e que ainda há 29 pessoas hospitalizadas.

"O reforço da segurança na fronteira com a Síria vai continuar", enfatizou.

No atentado da véspera, uma explosão muito forte ocorreu no início da tarde no jardim do centro cultural da cidade e tinha como alvo um grupo de cerca de 300 jovens militantes de esquerda e pró-curdos, em sua maioria estudantes.

Segundo um membro do principal partido pró-curdo da Turquia, Alp Altinors, questionado pela AFP, esses jovens planejavam participar da reconstrução da cidade de Kobane, do outro lado da fronteira, completamente destruída durante a batalha entre o EI e os curdos.

Erdogan condenou o atentado e denunciou um "ato de terrorismo".

"Eu amaldiçoo e condeno os autores desta violência em nome do meu povo", declarou Erdogan.

A Turquia tem fortes motivos para acreditar que o EI esteja por trás do atentado em Suruc, uma vez que o grupo radical controla há mais de um ano vastos territórios no Iraque e na Síria, inclusive perto da fronteira turca.

Vários meios de comunicação turcos noticiaram que o suicida era uma jovem mulher de pouco mais de 20 anos. Essa informação não foi confirmada oficialmente.

Pouco tempo depois desta primeira explosão, um outro ataque com carro-bomba atingiu uma barreira de segurança das milícias curdas no sul de Kobane, do outro lado da fronteira, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O jornal Hürriyet afirmou que os serviços de segurança haviam advertido recentemente o governo sobre os riscos de um atentado em território turco.

O atentado de Suruc "é um deslocamento para o solo turco da guerra na Síria entre as milícias curdas e os jihadistas", opinou Nihat Ali Ozcan, do centro de estudos Tepav de Ancara.

"Esta estratégia poderá desencadear conflitos ideológicos, étnicos e políticos na Turquia", afirmou ainda.

O atentado suicida ocorre poucas semanas depois do reforço pelas autoridades turcas de sua presença militar na fronteira com a Síria. A medida foi tomada após a vitória das milícias curdas na batalha pelo controle de uma outra cidade fronteiriça, Tall Abyad.

De acordo com analistas, essa decisão do governo islâmico-conservador turco é destinada tanto para combater o EI, como para bloquear o avanço no norte da Síria das forças curdas. Esses grupos são ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que conduz desde 1984 uma rebelião contra Ancara.

Os países ocidentais criticam regularmente o governo de Ancara por sua neutralidade, ou complacência frente às organizações radicais em guerra contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, incluindo o EI.

A Turquia sempre negou as acusações, mas tem-se recusado a participar da coalizão militar antijihadista liderada pelos Estados Unidos.

A cidade de Suruc recebe milhares de refugiados curdos da Síria que deixaram a região de Kobane durante a ofensiva lançada pelo EI em setembro passado.

Esse ataque e os violentos combates que se seguiram causaram o êxodo de cerca de 200.000 pessoas para a vizinha Turquia. Segundo as autoridades locais turcas, apenas cerca de 35 mil sírios retornaram para casa desde o fim da batalha.

No final de junho, o EI lançou um ataque surpresa em Kobane, marcando seu retorno ao centro da cidade com três atentados suicidas. Os combates resultaram na morte de mais de 120 civis. Alguns dias depois, as milícias curdas retomaram o controle total da cidade.

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