Trump vai pedir que chineses vendam TikTok — e Microsoft quer comprar

O TikTok pertence à chinesa ByteDance, que vem sendo pressionada pelos EUA. Jornais afirmam que a Microsoft já estaria em conversas para possível aquisição

O presidente americano, Donald Trump, pode dar um passo além em sua disputa contra o app de vídeos TikTok e seus donos chineses, a startup ByteDance. Segundo a agência Bloomberg e o jornal The Wall Street Journal, o presidente vai solicitar à companhia chinesa que venda sua participação no TikTok para que o aplicativo possa continuar sendo autorizado dentro dos Estados Unidos.

A Casa Branca e o presidente ainda não confirmaram a informação. Nas últimas semanas, Trump e assessores do governo americano vêm fazendo repetidas declarações contra o TikTok e afirmando que estudam proibir o aplicativo para usuários americanos.

A americana Microsoft seria uma das companhias que avaliam a possibilidade de comprar o TikTok, segundo fontes informaram ao jornal The New York Times e à agência Bloomberg. As empresas, inclusive, já estariam em conversas para um potencial negócio.

Acusações de espionagem

Embora pertença a uma empresa chinesa, o TikTok não fica disponível na China continental, onde diversas redes sociais usadas no Ocidente, como Facebook, Twitter e aplicativos do Google também não operam. Em território chinês, a ByteDance tem um outro app com a mesma funcionalidade, o Douyin.

O Douyin foi lançado em 2016 na China e, em seu processo de internacionalização em 2017, a ByteDance optou por separá-lo do app usado no exterior, que viria a ser o TikTok.

Ainda assim, o argumento do governo americano é que a ByteDance tem sede na China e estaria usando o app para espionar usuários americanos e empresas do país e, depois, repassando os dados ao governo do presidente chinês Xi Jinping.

O TikTok tem mais de 1 bilhão de usuários no mundo e é um dos primeiros apps chineses a fazer sucesso fora da China. A empresa argumenta que não fornece dados de usuários estrangeiros ao governo chinês.

A existência do Douyin como uma divisão separada — esta, sim, obrigada a aceitar eventuais restrições e censuras do governo chinês — é um dos argumentos da empresa para defender a independência do TikTok.

Nesta sexta-feira, 31, Trump já havia dito novamente a jornalistas que está estudando possibilidades para a situação do aplicativo. “Estamos analisando o TikTok. Talvez possamos banir o TikTok”, disse. “Talvez façamos outras coisas, há algumas opções. Mas muitas coisas estão acontecendo. Vamos ver o que vai acontecer. Estamos analisando uma série de alternativas no que diz respeito ao TikTok.”

Um investidor da ByteDance disse à EXAME em junho que as investidas contra o TikTok se baseiam nas “mesmas questões” geopolíticas dos últimos anos, como um “sentimento anti-chinês” e a guerra comercial entre EUA e China.

Um dos motivos apontados é o embate entre antigas e novas empresas de tecnologia, diante de um temor do próprio governo americano acerca da competição entre o TikTok e as já estabelecidas redes sociais americanas, como Facebook e Snap.

Um pé na China, outro fora

A ByteDance vem tentando fazer uma série de mudanças internas para convencer usuários e governos do Ocidente de que não envia dados para o governo chinês.

Além da separação já existente entre TikTok e Douyin, a empresa pode estar em vias de separar oficialmente seus negócios na China e no exterior.

Nesta sexta-feira, a agência Reuters afirmou que uma das possibilidades é que a ByteDance faça uma abertura de capital (IPO) de sua frente chinesa em Hong Kong ou na China. A outra parte, da divisão de serviços não-chineses (que inclui sobretudo o TikTok), teria um IPO nos EUA ou na Europa.

Kevin Mayer em evento da Disney. Executivo é novo presidente do TikTok Kevin Mayer, presidente do TikTok desde maio deste ano: o americano era executivo da Disney, outro aceno do TikTok para acalmar os EUA

Kevin Mayer, presidente do TikTok desde maio deste ano: o americano era executivo da Disney, outro aceno do TikTok para acalmar os EUA (Jesse Grant/Getty Images)

A Reuters aponta que investidores já estariam avaliando o TikTok em 50 bilhões de dólares — mais do que concorrentes como o americano Snap, também de vídeos rápidos.

Já a ByteDance é avaliada oficialmente em mais de 70 bilhões de dólares, mas com estimativas no mercado privado já apostando que a empresa possa valer mais de 100 bilhões de dólares.

O TikTok ainda nomeou em maio um presidente americano, outro aceno da empresa ao mundo ocidental. O escolhido foi Kevin Mayer, então diretor da divisão de streaming da Disney — um dos responsáveis por lançar o Disney+, serviço rival da Netflix.

Quando o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse em entrevista que o governo cogitava banir o TikTok nos EUA, um porta-voz da ByteDance usou seu novo presidente para reforçar sua posição de independência. O porta-voz afirmou que “o TikTok é liderado por um CEO americano, com centenas de empregados e líderes-chave em segurança, produto e políticas públicas aqui nos Estados Unidos”, segundo reportou a rede britânica BBC. “Nunca fornecemos dados para o governo chinês, nem o faríamos se fossemos solicitados”, disse.

Enquanto isso, para a Microsoft, uma potencial compra do TikTok seria um atalho para a empresa no segmento de redes sociais. A Microsoft é atualmente mais presente no mundo corporativo, sendo dona de programas como o pacote de produtividade Office e o sistema operacional Windows, além da rede social corporativa LinkedIn. A empresa também ganhou visibilidade nos últimos anos em setores como games, com a plataforma do Xbox, e em seus serviços de nuvem corporativa.

Espera! Tem um presente especial para você.

Uma oferta exclusiva válida apenas nesta Black Friday.

Libere o acesso completo agora mesmo com desconto:

exame digital

R$ 15,90/mês

R$ 6,36/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

R$ 40,41/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.