NEW YORK, NY - JANUARY 5: Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, are seen in handcuffs after landing at a Manhattan helipad, escorted by heavily armed Federal agents as they make their way into an armored car en route to a Federal courthouse in Manhattan on January 5, 2026 in New York City. (Photo by XNY/Star Max/GC Images) (XNY/Star Max /Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 15h59.
Mais da metade dos cidadãos da Venezuela aprova a operação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo pesquisa da AtlasIntel. Segundo o levantamento, 57,7% de todos os venezuelanos aprova da operação, com 20,9% se opondo e 21,4% indecisos.
Entre os venezuelanos ainda residentes no país, a aprovação é de 46,7%, com desaprovação de 25,4% à intervenção militar americana no país. A porcentagem de indecisos é maior do que de opositores, com 27,9%.
Já entre membros da chamada "diáspora venezuelana" no exterior, inclusive nos EUA, a aprovação é estonteante: 90,8% das pessoas nessa categoria aprovam a operação americana, e apenas 2,9% são contra. Apuração recente do Al-Jazeera estima que a diáspora venezuelana no começo de 2026 conte com 7.9 milhões de pessoas, uma das maiores do mundo.
Mapa da América Central (Thinkstock)
No total, 60,1% das pessoas na América Latina como um todo apoiam a operação que depôs Maduro, com 34,9% desaprovando. Em uma lista que divide a região em 11 áreas estudadas, a taxa de aprovação é a maior de todas no Caribe, onde chega a 82%.
A presença militar americana na América Latina começou por essa região, onde a administração republicana conduziu dezenas de ataques à embarcações no mar, clamando centenas de vidas.
Segundo a Casa Branca, essas embarcações estariam conectadas ao narcotráfico, mas nenhuma prova das alegações foi apresentada. Os ataques atraíram ampla condenação internacional.
Seguindo o Caribe estão as opiniões do Peru, Equador e Bolívia, analisadas em conjunto, com 77% de aprovação e 20% de desaprovação.
Paraguai e Uruguai, também analisados juntos, ocupam o terceiro lugar, com 72% de aprovação e 17% de desaprovação.
Das 11 regiões e países, o Brasil termina em sétimo lugar, com 58% de aprovação e 41% de reprovação à operação militar dos EUA na Venezuela. Por pouco supera a diáspora latina (não venezuelana, mas latina em geral) nos EUA e no Canadá em ambas as categorias, onde apresentam 56% de aprovação e 38% de desaprovação.
A menor aprovação de todas, em comparação aos números gerais da região, é a da própria Venezuela, que beira os 47%, e é a única abaixo dos 50%. Mesmo assim, o apoio segue consideravelmente maior do que a desaprovação, de 25%.
E essa tendência é verdade para todos os países analisados – em nenhum dos casos a desaprovação supera a aprovação, e a diferença sempre gira em torno de duas vezes mais aprovação, com exceção do Brasil, que tem números mais equilibrados.
Um vendedor de café conta dinheiro em Caracas em 4 de janeiro de 2026, um dia após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter sido capturado em um ataque dos EUA.
O levantamento também apresenta diferenças demográficas na avaliação do conflito geopolítico, ou seja, entre gêneros, renda e até mesmo ideologia política.
No geral, homens tendem tanto a aprovar e desaprovar mais do que mulheres, que apresentam números mais elevados de indecisão – 61,4% dos homens latino-americanos aprovam a operação, enquanto a aprovação feminina é de 59%.
Enquanto isso, 35,2% dos homens e 34,6% das mulheres desaprovam. Apenas 3,4% dos correspondentes masculinos se mostraram indecisos, em oposição a 6,4% das mulheres.
Em termos de renda, 62,1% dos latino-americanos no quintil inferior de renda familiar (os 20% mais pobres) apoiam a operação, com taxas de desaprovação nos 23,3%. No quintil superior, 56,4% apoiam e 42,6% desaprovam.
Há grande diferença de correspondentes indecisos entre os dois polos: no quintil inferior, 14,6% são indecisos, e no superior, apenas 1,1%.
Quando a categoria é ideologia política, a discrepância entre os números é ainda maior.
Latinos que se identificam como sendo de direita apresentam uma aprovação de 97,6%, e uma desaprovação de apenas 1,9%.
Para os de esquerda, a aprovação é de 4,5%, enquanto a desaprovação bate os 94%.