Reunião na Casa Branca: chegada de Netanyahu à sede presidencial norte-americana foi marcada por protestos contrários à presença do primeiro-ministro israelense nos Estados Unidos (Saul Loeb/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 17h18.
Após uma reunião de mais de duas horas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca nesta quarta-feira, 11, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que havia "insistido" para Israel manter vivas as negociações com o Irã.
"Não se tomou nenhuma decisão definitiva, apenas insisti em que as negociações com o Irã continuariam para ver se era possível ou não chegar a um acordo", escreveu o presidente americano em seu perfil na rede Truth Social. "Enquanto houver possibilidade, indiquei ao primeiro-ministro que essa será a minha preferência."
As discussões dos mandatários dos EUA e Israel acerca do Irã ocorrem em um contexto de tensões crescentes entre a República Islâmica e os países.
O líder israelense se reuniu com o republicano para persuadi-lo a exercer pressão máxima sobre Teerã nas negociações sobre os programas nuclear e de mísseis balísticos do país.
Acabei de me reunir com o Primeiro-Ministro Netanyahu, de Israel, e vários de seus representantes. Foi uma reunião muito produtiva, e a excelente relação entre nossos dois países continua. Nada de definitivo foi alcançado, além da minha insistência em que as negociações com o Irã prossigam para verificar a possibilidade de um acordo. Caso seja possível, informei ao Primeiro-Ministro que essa será a nossa preferência. Caso contrário, teremos que aguardar o desfecho. Da última vez, o Irã decidiu que era melhor não fazer um acordo e foi atingido pela Operação Martelo da Meia-Noite — o que não funcionou bem para eles. Espero que desta vez sejam mais razoáveis e responsáveis. Além disso, discutimos o enorme progresso que vem sendo feito em Gaza e na região em geral. Há, de fato, PAZ no Oriente Médio. Agradeço a atenção dispensada a este assunto!
A República Islâmica é pressionada a negociar o fim de seu programa nuclear, sob ameaças militares de Donald Trump. O presidente afirmou no final de janeiro que uma "enorme armada está a caminho do Irã", com "uma frota maior, liderada pelo magnífico porta-aviões Abraham Lincoln, do que a enviada à Venezuela."
As ameaças têm como justificativa declarada pressionar o Irã a negociar o fim de seu programa nuclear. "O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, FAÇAM UM ACORDO!", disse Trump em janeiro.
"A última vez, o Irã decidiu que era melhor não fazer um acordo e foi atingido pela Operação Martelo da Meia-Noite — o que não funcionou bem para eles", afirmou o americano na publicação desta quarta-feira.
A operação a que o presidente se refere ocorreu em junho do ano passado, no contexto da guerra de 12 dias entre Irã e Israel. Na ocasião, Washington bombardeou as três principais instalações do programa nuclear iraniano.
O programa nuclear iraniano é centro de discussões há anos. Em outubro de 2025, o país voltou a estar sob sanções internacionais pela primeira vez em 10 anos por causa do programa. A ação foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A justificativa para essa retomada das punições foi o acordo de 2015 assinado com Reino Unido, França e Alemanha, que visa impedir Teerã de obter armas nucleares em troca da interrupção de sanções. As três potências europeias afirmaram no ano passado que o Irã violou o tratado e intensificou suas atividades nucleares nos últimos anos.
Em 2018, durante o seu primeiro mandato, Trump deixou o tratado, o que abriu precedentes para que outros países recuassem dos compromissos nele assumidos.
Em 2025, o programa nuclear passou por mais instabilidades. O exército israelense atacou o Irã. Entre os alvos, estavam diversas unidades que integram a infraestrutura nuclear do país. Após 12 dias de conflito, os EUA bombardearam as três principais instalações nucleares iranianas. Apesar dos ataques, Teerã diz que seu programa segue intacto.