Donald Trump: presidente dos EUA fala à imprensa no Air Force One ao lado de Howard Lutnick e Lindsey Graham após ordenar captura de Nicolás Maduro e sua esposa. (Joe Raedle/Getty Images)
Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 06h54.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo, 4, que exige da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, “acesso total” ao país em termos de recursos naturais e de outros tipos.
A declaração ocorreu um dia após a operação militar que capturou o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e levou o chefe de Estado a uma prisão americana sob acusação de “narcoterrorismo”.
“O que precisamos (de Delcy Rodríguez) é de acesso total. Acesso total ao petróleo e a outras coisas no país que nos permitam reconstruí-lo”, disse Trump. O presidente falou sobre infraestrutura e afirmou que estradas e pontes estariam deterioradas.
Trump voltou a afirmar que grandes petrolíferas americanas entrarão na Venezuela para reparar estruturas que, segundo ele, foram construídas por empresas dos EUA e “roubadas” pelo chavismo. As falas ocorreram a bordo do Air Force One, durante o deslocamento de Mar-a-Lago, na Flórida, para Washington, após duas semanas no local.
O republicano afirmou que a operação para capturar Maduro em Caracas no sábado, chamada de “Resolução Absoluta”, e sua nova estratégia regional, batizada de Doutrina Donroe, representariam uma nova forma de intervenção na América Latina. Segundo ele, a doutrina parafraseia a antiga Doutrina Monroe e parte do princípio de que “o hemisfério (ocidental) é nosso”.
Trump disse que tanto a missão quanto sua doutrina buscam “a paz no mundo”. Ele também citou bombardeios em Caracas e regiões próximas como parte da ação militar que culminou na prisão de Maduro.
Trump afirmou que o Exército americano continua preparado para um segundo ataque na Venezuela, incluindo alvos na capital e nos estados de La Guaira, Aragua e Miranda. Ao ser questionado se uma nova ofensiva estaria descartada com Maduro preso e Rodríguez no comando, ele respondeu: “Não, não está. Se não se comportarem bem, lançaremos um segundo ataque”.
O presidente também fez advertências ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e disse que considerou positiva a possibilidade de enviar ao país uma missão semelhante à realizada na Venezuela. Trump afirmou que a Colômbia estaria “muito doente” e acusou Petro de liderar um governo que “gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos EUA”.
Sobre o México, Trump voltou a dizer que ofereceu enviar tropas para combater narcotraficantes, proposta apresentada à presidente Claudia Sheinbaum. Ele descreveu a mandatária como “uma pessoa maravilhosa”, mas afirmou que ela “tem um pouco de medo dos cartéis que controlam o México”. Segundo Trump, Sheinbaum rejeitou repetidamente a ideia por motivos de soberania.
Ao comentar um eventual processo de transição na Venezuela, Trump deu uma resposta que classificou como “controversa”. Questionado sobre quem mandaria no país, afirmou: “Que nós estamos no comando”.
Ele disse no sábado que a líder opositora María Corina Machado não teria respeito nem apoio suficientes para governar. Também declarou que integrantes de seu gabinete, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o diretor da CIA John Ratcliffe, “governarão” a Venezuela por um período indefinido.
Trump ainda pareceu descartar a realização de eleições em um futuro próximo no país. “Acho que estamos nos concentrando mais em consertá-la, em prepará-la primeiro, porque é um desastre”, afirmou.
Ao falar sobre Cuba, Trump afirmou que o governo de Miguel Díaz-Canel “está prestes a cair” e disse que não acredita ser necessária “qualquer ação” por parte dos EUA na ilha. Segundo ele, Cuba não teria renda e dependia do petróleo venezuelano.
“Não sei como vão conseguir se manter, não têm renda. Recebiam toda a sua renda da Venezuela, do petróleo venezuelano”, disse.*Com informações da EFE