Mundo

Trump deve elevar tarifa para 15% 'onde for apropriado', diz Greer

Presidente disse que subirá as taxas globais de 10% para 15%, mas não especificou data

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o discurso do Estado da União, no Congresso (Andrew Caballero-Reynolds/AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o discurso do Estado da União, no Congresso (Andrew Caballero-Reynolds/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 17h34.

Tudo sobreEstados Unidos (EUA)
Saiba mais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá assinar nos próximos dias uma ordem executiva que eleva a tarifa global para 15%, “onde for apropriado”, segundo informou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

De acordo com Greer, a iniciativa visa assegurar “continuidade” nas relações com países que já firmaram acordos comerciais com os Estados Unidos.

"Então, neste momento, como discutimos, 10% está em vigor. Haverá uma proclamação elevando para 15% quando apropriado", explicou Greer nesta quarta-feira, 25, no programa Surveillance da Bloomberg Television.

Jamieson Greer buscou explicar como o governo pretende cumprir a promessa de Trump de elevar a tarifa para 15%, medida que ampliou a incerteza entre parceiros comerciais após a Suprema Corte rejeitar as chamadas “tarifas recíprocas”.

A tarifa global de 10% passou a valer nesta semana. Antes disso, o republicano anunciou a implementação da nova alíquota, ao mesmo tempo, em que sinalizou a manutenção de acordos com parceiros comerciais.

Impactos nas relações com os europeus

Questionado se a elevação poderia contrariar o entendimento firmado com a União Europeia, Greer afirmou que detalharia posteriormente “como isso poderia acomodar outros países”.

O representante comercial indicou que as alterações não devem resultar em uma taxa cumulativa mais elevada para economias que já possuem acordos comerciais com os Estados Unidos. A sinalização foi interpretada como relevante para a União Europeia, o Reino Unido e outros parceiros que poderiam enfrentar um aumento tarifário sob uma alíquota geral de 15%.

Segundo Greer, o governo trabalha para ajustar a política tarifária sem impor encargos adicionais às economias com entendimentos já estabelecidos.

"O objetivo é recriar a política que desenvolvemos ao longo do último ano, dar continuidade e estar em posição de honrar os acordos, mas também ter mecanismos de aplicação disponíveis."

O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, afirmou nesta quarta-feira que acredita que o arcabouço comercial de Londres “permanece intacto”.

"À medida que avançamos nos próximos dias e obtivemos mais clareza, certamente espero que a tarifa de 10% também permaneça intacta", disse Kyle durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.

Renascimento do regime tarifário

Jamieson Greer afirmou que pode levar “alguns meses” para que o governo restabeleça o regime tarifário de Trump para preservar acordos existentes após a derrota judicial. Segundo ele, o presidente aplica a tarifa básica com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a imposição da taxa por até 150 dias sem aprovação do Congresso.

Autoridades indicaram que o período será utilizado para conduzir investigações comerciais com fundamento em outros dispositivos legais. A estratégia abre caminho para tarifas de caráter mais permanente sobre produtos de países e setores específicos, em substituição à tarifa global.

Planos para China, México e Canadá

Greer também declarou que os Estados Unidos pretendem manter tarifas sobre produtos chineses entre 35% e 50%, a depender do item. A expectativa é que Trump se reúna com o presidente Xi Jinping, na China, no fim de março ou início de abril, para tratar da prorrogação da trégua tarifária entre os dois países.

"Esperamos que esse nível permaneça em vigor. Não pretendemos escalar além disso. Pretendemos realmente manter o acordo que tínhamos antes", disse Greer nesta quarta-feira à Fox Business.

Em entrevista à Bloomberg, Greer reforçou a continuidade das negociações sobre o acordo comercial norte-americano conhecido como USMCA e voltou a mencionar críticas de Trump ao tratado negociado em seu primeiro mandato. Ele citou questionamentos sobre o tratamento do México a empresas de energia dos EUA, regras canadenses para o setor de laticínios, boicotes canadenses a bebidas alcoólicas americanas e riscos de transbordo comercial por meio dos dois países.

Greer sinalizou que as conversas miram dois acordos paralelos com Canadá e México, e não uma reescrita integral do USMCA.

"Estou conduzindo negociações separadas com o Canadá e o México, porque nossos relacionamentos com esses países são muito diferentes, e acredito que, ao longo do próximo ano, teremos conversas", disse. "Talvez tenhamos protocolos separados com o Canadá e o México que anexaremos ao USMCA; precisamos apenas corrigir algumas lacunas".

Greer confirmou à Bloomberg que Trump teria considerado, em caráter privado, abandonar o pacto, mas reduziu o peso da declaração.

"Não é segredo. O presidente tem sido muito claro este ano ao dizer que está preocupado com o desempenho do USMCA; ele não acha que devemos simplesmente aprovar automaticamente este acordo", disse Greer.
Acompanhe tudo sobre:Estados Unidos (EUA)Donald TrumpTarifas

Mais de Mundo

Cuba troca tiros com barco dos EUA e confirma quatro mortos

'Pagamos US$ 18 milhões em tarifas e queremos reembolso', diz CEO da Taurus

J.D. Vance diz que Trump ainda prefere uma solução diplomática com o Irã

China projeta cortar 7 bilhões de toneladas de CO2 com novo padrão ambiental