O presidente afirmou que a organização trabalhará "em conjunto" com as Nações Unidas (EVAN VUCCI /AFP)
Redação Exame
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 16h37.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o Hamas pelo desarmamento completo e imediato, vinculando a medida ao avanço do plano de reconstrução da Faixa de Gaza.
A declaração foi feita neste domingo (15) na plataforma Truth Social, poucos dias antes da primeira reunião formal do Conselho de Paz, órgão criado por sua administração.
"Muito importante, o Hamas tem que cumprir seu compromisso de desmilitarização total e imediata", escreveu Trump. A exigência é um dos pilares da segunda fase do cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o grupo palestino em outubro, após a guerra desencadeada pelos ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
O plano, aprovado pela ONU em novembro, prevê a retirada gradual das forças israelenses de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização para garantir a segurança no território.
Embora o Hamas tenha reiteradamente classificado o desarmamento como uma linha vermelha, o grupo já sinalizou a possibilidade de entregar suas armas a uma futura autoridade palestina governante.
No mesmo pronunciamento, Trump anunciou que os países integrantes do Conselho de Paz comprometeram US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26,17 bilhões) para iniciativas humanitárias e de reconstrução em Gaza. O anúncio formal ocorrerá na quinta-feira, durante a primeira reunião do órgão em Washington.
Segundo o presidente americano, os países-membros também "comprometeram milhares de pessoas na Força Internacional de Estabilização e na Polícia Local para manter a segurança e a paz dos habitantes de Gaza".
A participação no conselho exige contribuição de US$ 1 bilhão (R$ 5,23 bilhões) para membros permanentes, o que tem gerado desconforto entre aliados tradicionais dos EUA, como França e Reino Unido, que manifestaram dúvidas sobre a iniciativa. O convite ao presidente russo, Vladimir Putin — cujo país invadiu a Ucrânia em 2022 — também foi alvo de críticas.
Criado inicialmente para supervisionar a reconstrução de Gaza, o Conselho de Paz teve seu escopo ampliado e, segundo Trump, tem "potencial ilimitado".
O presidente afirmou que a organização trabalhará "em conjunto" com as Nações Unidas e que "demonstrará ser o organismo internacional mais transcendental da história".
Paralelamente, as partes envolvidas no conflito trocam acusações diárias de violações do cessar-fogo. O plano também prevê a criação de um comitê tecnocrático palestino para assumir a administração da Faixa de Gaza, devastada por mais de um ano de conflito.