Mundo

Trump ameaça enviar polícia migratória a aeroportos às vésperas da Copa

Declaração ocorre em meio a impasse no Congresso e levanta temores sobre ações contra estrangeiros durante o Mundial de 2026

Trump: “Se os democratas da esquerda radical não assinarem imediatamente um acordo para que nosso país — em particular nossos aeroportos — volte a ser livre e seguro, transferirei nossos brilhantes e patriotas agentes do ICE para os aeroportos”, escreveu em sua rede social, Truth Social. (Alex Wong/Getty Images)

Trump: “Se os democratas da esquerda radical não assinarem imediatamente um acordo para que nosso país — em particular nossos aeroportos — volte a ser livre e seguro, transferirei nossos brilhantes e patriotas agentes do ICE para os aeroportos”, escreveu em sua rede social, Truth Social. (Alex Wong/Getty Images)

Publicado em 21 de março de 2026 às 18h47.

Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou enviar agentes da polícia migratória, o ICE, para aeroportos internacionais do país em meio ao impasse no Congresso sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.

A declaração ocorre a menos de três meses do início da Copa do Mundo, que será sediada por EUA, Canadá e México, e intensifica o debate sobre possíveis ações contra estrangeiros durante o torneio.

“Se os democratas da esquerda radical não assinarem imediatamente um acordo para que nosso país — em particular nossos aeroportos — volte a ser livre e seguro, transferirei nossos brilhantes e patriotas agentes do ICE para os aeroportos”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.

“Eles farão a segurança como nunca se viu antes, incluindo a prisão imediata de todos os imigrantes ilegais que entraram em nosso país, com forte ênfase naqueles da Somália.”

Uma das principais bandeiras eleitorais de Trump, a imigração se tornou um campo de batalha aberto entre governo e oposição em um ano de eleições legislativas.

Para apoiar o financiamento do Departamento de Segurança Interna, os democratas exigem mudanças nas operações migratórias, especialmente no ICE, que é alvo de críticas por abusos e envolvimento em episódios de violência, incluindo a morte de cidadãos americanos.

O departamento está sem financiamento desde meados de fevereiro, o que já afeta diversas atividades — especialmente nos aeroportos, mencionados diretamente por Trump.

Apesar de avanços recentes nas negociações, ainda há pontos sem consenso. Um dos principais impasses é a exigência democrata de que agentes do ICE não utilizem máscaras durante operações. Na sexta-feira, a oposição bloqueou uma tentativa republicana de aprovar uma nova linha de financiamento.

Diante disso, Trump passou a ameaçar deslocar agentes para aeroportos já na segunda-feira, sem detalhar como seria essa atuação.

As declarações ocorrem também em meio à escolha do novo chefe do departamento. Em audiência no Congresso, o senador Markwayne Mullin, indicado pela Casa Branca, adotou um tom mais moderado que o de sua antecessora, Kristi Noem — demitida no início do mês —, mas defendeu o aumento de recursos para o ICE.

Uma pesquisa recente do instituto YouGov mostrou que 55% dos americanos apoiam a abolição da polícia migratória. Entre eleitores republicanos, 23% defendem o fim do ICE — um índice considerado elevado pelos pesquisadores.

Impactos na Copa do Mundo

O impasse político e o tom adotado por Trump surgem a menos de três meses da Copa do Mundo da FIFA de 2026, que será realizada em México, Canadá e Estados Unidos — país que sediará a maior parte dos jogos.

Há preocupação de que o ICE realize operações durante o torneio, que contará com 48 seleções pela primeira vez, incluindo equipes de países com restrições de entrada em território americano.

Diante desse cenário, parlamentares democratas já apresentaram ao menos três projetos de lei para limitar a atuação de agentes migratórios durante o evento.

Uma das propostas proíbe o uso de recursos federais para ações de imigração em sistemas de transporte público ou em vias que levem a estádios e Fan Fests. Outra sugere a suspensão total das operações durante a Copa.

Há ainda um projeto, intitulado “Lei para Proteger a Copa do Mundo”, que propõe vetar ações em um raio de até 1,5 km de estádios e áreas oficiais do evento.

Em nota ao site The Athletic, do New York Times, o Departamento de Segurança Interna afirmou que “visitantes internacionais que vêm legalmente aos Estados Unidos para a Copa do Mundo não têm nada com que se preocupar”.

“Especulações em contrário são mal informadas. Ao mesmo tempo, visitantes estrangeiros devem ser proativos e começar a planejar suas viagens e documentação com antecedência para garantir uma experiência tranquila”, diz o comunicado.

Acompanhe tudo sobre:Copa do MundoDonald Trump

Mais de Mundo

Partido de Putin vence eleições russas com maioria

Lula chega a Nova York para agenda enxuta na ONU, com artigo pró-multilateralismo no Financial Times

Zelensky diz ter marcado reunião com Trump em Nova York

Equador apreende 2,9 toneladas de cocaína em operação