Tombo no comércio global deve ser entre 13% e 32% em 2020, projeta OMC

OMC revelou nesta manhã as novas projeções para o comércio global em 2020 e 2021, agora considerando os impactos do coronavírus
Pessoas se protegem com máscaras contra o novo coronavírus: governos precisam começar a pensar em como lidar com as consequências econômicas da pandemia, diz OMC (Kena Betancur/Getty Images)
Pessoas se protegem com máscaras contra o novo coronavírus: governos precisam começar a pensar em como lidar com as consequências econômicas da pandemia, diz OMC (Kena Betancur/Getty Images)
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Gabriela Ruic

Publicado em 08/04/2020 às 10:04.

Última atualização em 08/04/2020 às 10:05.

O tombo do comércio global em 2020, considerando os impactos da pandemia do novo coronavírus, será entre 13% e 32%, revelou a Organização Mundial do Comércio (OMC) na manhã desta quarta-feira, 08. A discrepância entre os percentuais, explicou a entidade, se dá justamente em razão do alto grau de imprevisibilidade da epidemia e a crise econômica que começa a se desenrolar mundo afora.

As novas projeções da entidade eram aguardadas com ansiedade, uma vez que economistas e analistas lutam para entender os efeitos concretos da covid-19, as quarentenas e as restrições de movimentação na economia global para desenvolver mecanismos para mitigar os seus efeitos. Os dados da entidade, no entanto, trazem pouco alento.

A expectativa dos economistas da entidade que regula o comércio internacional para este ano é a de que o declínio deve exceder o observado entre 2008 e 2009, auge da crise financeira global. A OMC nota que, embora seja inevitável comparar as crises, as restrições de movimento e as medidas de distanciamento social exigidas hoje para lidar com a pandemia afetaram a oferta de trabalho, o transporte e o turismo de uma maneira totalmente diferente.

De acordo com a análise da OMC, todas as regiões irão observar declínios em nos volumes comerciais, sendo a Ásia e a América do Norte as mais afetadas do ponto de vista das exportações. Setores de cadeias complexas, como o automotivo e o de eletrônicos, vão sofrer quedas bruscas, embora serviços, transporte e turismo sejam os mais diretamente afetados pelos efeitos da pandemia.

Para 2021, as notícias tampouco são boas: a recuperação é tão incerta quanto as estimativas para 2020. “O resultado irá depender da duração da pandemia e a efetividade das respostas dos governos”, escreveu a OMC. Nesse sentido, as incertezas sobre as consequências econômicas, bem como a duração dessa turbulência, devem continuar.

Para o diretor-geral da entidade, o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, o objetivo principal dos governos, no momento, deve ser o de controlar a pandemia e mitigar os efeitos econômicos para as pessoas, empresas e países. E alerta: “tomadores de decisão precisam começar a planejar o que será feito para lidar com as consequências da pandemia”.

“Os números são feios, não há como contornar isso. Mas uma recuperação rápida, vigorosa é possível. As decisões tomadas agora irão determinar o futuro dessa retomada e as projeções de crescimento global. Precisamos das fundações para uma recuperação forte, sustentável e socialmente inclusiva”, continuou Azevêdo.

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