Samuel Moncada, representante da Venezuela na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança, em 5 de janeiro (Spencer Platt/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h30.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 14h31.
Samuel Moncada, representante da Venezuela na ONU, chamou a captura do presidente Nicolás Maduro, feita pelos EUA, de "sequestro" e pediu que ele seja libertado.
"Requeremos que o governo dos Estados Unidos seja levado a respeitar por completo as imunidades do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, assim como sua libertação imediata e seu retorno seguro à Venezuela", disse.
Além disso, Moncada pediu que o uso da força seja condenado de forma inequívoca e clara, e que o princípio de não aquisição de territórios e recursos pela força seja reafirmado.
"Quando a força é usada para controlar recursos, impor governos ou redesenhar Estados, estamos encarando uma lógica que remete às piores práticas do colonialismo. Aceitar esta lógica significaria abrir a porta para um mundo profundamente instável, no qual os países com maiores capacidades militares podem decidir, pela força, o destino econômico e político de outros Estados", afirmou.
"Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e a ameaça aberta de mais ações armadas são tolerados ou minimizados, a mensagem enviada ao mundo é devastadora, de que a lei é opcional e o uso da força é o árbitro real das relações internacionais", afirmou.
Moncada confirmou, ainda, que Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina. "Nossas instituições estão funcionando normalmente, a ordem constitucional foi preservada e o Estado exerce controle efetivo sobre o território, de acordo com nossa Constituição", afirmou.
O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU com poder de usar a força militar. No entanto, suas decisões podem ser vetadas pelos membros-fundadores. Os EUA são um deles, o que deve impedir medidas contra o país por causa da invasão da Venezuela.
No sábado, 3, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ele foi levado para Nova York, onde será julgado por várias acusações, incluindo o envolvimento com o tráfico de drogas.
Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da Venezuela de forma interina. Ela sinalizou que buscará cooperar com os EUA, após sofrer ameaças dos americanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderá fazer novas operações militares no país se o governo não atender às suas demandas, especialmente ao abrir o setor de petróleo para empresas americanas.