Suíça: em agosto, os EUA impuseram à Suíça tarifas de 39% (HADI ZAHER/Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 15h11.
A Suíça votará, no dia 10 de junho, uma nova iniciativa proposta pelo partido de direita Swiss People’s Party (SVP, na sigla local), que prevê um limite populacional do país de 10 milhões de pessoas. A medida, cujo argumento central é a pressão que uma população grande exerce sobre os aluguéis e sobre a infraestrutura do país, enfrenta considerável oposição.
Batizada de “Não a uma Suíça de 10 milhões”, a iniciativa prevê que o governo passe a implementar medidas de restrição populacional caso o número de habitantes permanentes do país, agora a 9,1 milhões, ultrapasse os 9,5 milhões.
Isso significaria negar entrada a novos imigrantes, inclusive requerentes de asilo, como refugiados, e as famílias de residentes estrangeiros já estabelecidos.
Caso a população ultrapasse os 10 milhões, mecanismos mais intensos seriam implementados, e, se mesmo assim a população continuasse a crescer, o país seria legalmente obrigado a sair do acordo de livre movimentação que possui com a União Europeia, seu maior mercado de exportações e importante parceiro político e comercial. Tudo isso, é claro, se o projeto for aprovado.
A oposição, que inclui partidos rivais e grandes multinacionais como Nestlé e UBS, alertam conjuntamente que muitas empresas suíças de todos os tamanhos dependem da mão de obra europeia, e que, sem ela, teriam que realocar suas operações no exterior, onde enfrentariam novos impostos e obstáculos para seus serviços, o que refletiria na Suíça.
Na política, partidos da oposição argumentam que boas relações com a UE é o único caminho para o país – cerca de metade das exportações Suíças são para países do bloco.
A empresa de lobbying político Economiesuisse chamou a medida de “uma iniciativa caótica”, reiterando a importância dos trabalhadores estrangeiros para a economia suíça e da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, em inglês) para preencher vagas de emprego.
“Já houve algumas iniciativas anti-imigração antes, mas nunca vimos uma proposta de limite fixo tão extrema”, disse o economista-chefe da Economiesuisse, Rudolf Minsch, fazendo referência a outras medidas semelhantes do SVP, que vem lutando por pautas anti-imigratórias desde 1999, muitas das quais foram rejeitadas.
A medida recebe apoio público em medidas iguais que enfrenta oposição parlamentar – adquiriu as 100 mil assinaturas necessárias para forçar uma votação nacional sob a legislação de democracia direta do país.
Segundo uma pesquisa nacional conduzida em dezembro pela empresa de pesquisa LeeWas, a medida já conta com o apoio de 48% dos eleitores, revelando uma Suíça fragmentada sobre o quão aberto o país deseja e precisa ser.
De acordo com figuras oficiais do Escritório Federal de Estatísticas da Suíça (FSO, na sigla em inglês), o país não só já tem uma das maiores proporções de cidadãos estrangeiros da Europa, representando cerca de 27% dos habitantes, mas sua população também cresceu ao redor de 25% desde 2000, uma taxa significativamente maior que muitos de seus vizinhos. O FSO estima ainda que, no ano 2055, a população poderá bater os 11,6 milhões de habitantes.
Gráfico do FSO, escritório de estatísticas da Suíça, mostra crescimento populacional no país desde 1900. As barras beges representam a taxa de crescimento, e a linha vermelha a população, em milhões, no último dia de cada ano (Switzerland FSO/Divulgação) (Switzerland FSO/Internet)