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Síria está sem comunicação; tráfego aéreo é retomado

Depois de uma noite de violentos combates, grande parte do país está sem telefone ou internet


	Imagem de prédios destruídos após bombardeios em Alepo: a violência dura mais de 20 meses e o número de mortos supera atualmente os 40.000
 (AFP)

Imagem de prédios destruídos após bombardeios em Alepo: a violência dura mais de 20 meses e o número de mortos supera atualmente os 40.000 (AFP)

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Da Redação

Publicado em 30 de novembro de 2012 às 11h39.

Damasco - Grande parte da Síria permanecia isolada do mundo nesta sexta-feira, sem telefone ou internet pelo segundo dia consecutivo, mas o tráfego aéreo foi retomado em Damasco depois de uma noite de violentos combates na região do aeroporto.

A AFP constatou que a internet e as comunicações telefônicas, em particular com os telefones celulares, estavam cortadas na capital desde quinta-feira à tarde. Os militantes acusam o regime de preparar um "massacre", mas as autoridades apontam para "obras de manutenção".

Rami, um contador de 34 anos que vive na capital, manifestou seu mau-humor. "Quinta-feira é o dia em que terminamos os pedidos e a correspondência para o fim de semana, atualmente somos totalmente dependentes das telecomunicações".

"É preciso resolver isso rapidamente, já temos problemas suficientes com as sanções (econômicas) e com o preço da gasolina. É esgotador", declarou à AFP.

Ghada, de 65 anos, vive sozinha em Damasco e telefona para seu filho quase todos os dias. "Ele vive em Dubai. Tenho medo de que se preocupe, porque agora não pode me telefonar e há tensão na cidade", afirmou.

Os Estados Unidos acusaram o governo de ter cortado as redes de comunicação e a organização não governamental defensora dos direitos humanos Anistia Internacional considerou que isso "poderia anunciar a intenção das autoridades sírias de esconder do mundo a verdade sobre o que ocorre no país".

Na manhã desta sexta-feira, a rota do aeroporto de Damasco, 27 km a sudeste da capital, era novamente acessível e os passageiros embarcaram para vários voos da Syrian Air, da companhia aérea nacional, anunciou à AFP uma fonte do aeroporto de Damasco.

Na quinta-feira à noite, o ministério da Informação, citado pela rede de televisão oficial, afirmou que a rota para o aeroporto, fechada desde a manhã de quinta-feira devido à violência, era segura.


Foram registrados violentos combates entre soldados e rebeldes ao redor do aeroporto até a madrugada desta sexta-feira, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), informando que os combates e os bombardeios prosseguiam em várias localidades da Ghuta oriental, assim como nos bairros do sul da capital.

"O lado ocidental da rota do aeroporto está protegido, assim como uma pequena parte do lado oriental, o que atualmente permite que os viajantes a utilizem", declarou nesta sexta-feira à AFP uma fonte dos serviços de segurança.

"Mas o mais difícil ainda não foi realizado. O exército quer recuperar o controle da costa oriental, onde há milhares de terroristas, e isso levará vários dias", acrescentou. Na terminologia do regime, "terroristas" designa os insurgentes.

Segundo o OSDH, uma organização não governamental com sede na Grã-Bretanha que se baseia em uma rede de militantes e de fontes médicas civis e militares na Síria, dois funcionários da aviação civil morreram quando viajavam em um ônibus que transportava os trabalhadores, embora a direção da Syrian Air tenha afirmado que eles só foram feridos.

A ONU anunciou que ao menos quatro membros de sua missão de manutenção de paz nas colinas de Golã foram baleados quando circulavam em um comboio que se dirigia ao aeroporto.

Na quinta-feira, segundo o OSDH, a violência deixou 108 mortos: 41 soldados, 47 civis e 20 rebeldes.

Os delegados de 67 países "Amigos do Povo Sírio", reunidos em Tóquio, lançaram um chamado a impor um embargo petroleiro contra o regime sírio.

"A violência dura mais de 20 meses e o número de mortos supera atualmente os 40.000. Há uma crise humanitária. Nós temos uma extensão da crise a toda a região", destacou o ministro das Relações Exteriores do Japão, Koishiro Gemba.

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