Paralisação deve ocorrer no dia do debate na Câmara sobre projeto que amplia jornada, reduz indenizações e pode restringir direito à greve (Martin Acosta/Reuters)
Redação Exame
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 18h48.
Última atualização em 16 de fevereiro de 2026 às 18h49.
A principal central sindical da Argentina convocou uma greve geral para o dia em que a Câmara dos Deputados deve debater a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. O projeto já foi aprovado pelo Senado e enfrenta forte resistência de sindicatos, em um cenário marcado por desaceleração econômica, queda do consumo e aumento da tensão social no país.
A proposta prevê mudanças significativas nas regras trabalhistas, como redução das indenizações por demissão, possibilidade de pagamento salarial em bens ou serviços, ampliação da jornada diária para até 12 horas e limitações ao direito de greve. O governo argumenta que as medidas podem estimular a formalização do emprego, reduzir custos trabalhistas e incentivar a criação de vagas.
Sindicatos ligados à Confederação Geral do Trabalho (CGT) classificam o projeto como “regressivo” e “inconstitucional” e afirmam que poderão recorrer à Justiça caso a reforma seja aprovada sem alterações. A paralisação será a quarta mobilização nacional contra as políticas do governo Milei desde sua posse, em dezembro de 2023.
A greve deve afetar principalmente a mobilidade. A União Geral de Associações de Trabalhadores do Transporte (UGATT) anunciou apoio integral à paralisação e prevê interrupção do transporte terrestre, aéreo e fluvial de passageiros no dia da votação. A convocação oficial da greve será formalizada em coletiva de imprensa prevista para esta semana.
O debate ocorre em um contexto econômico desafiador. Dados do setor industrial indicam que cerca de 300 mil empregos foram perdidos desde a posse de Milei, enquanto aproximadamente 21 mil empresas encerraram atividades no período. O governo, por sua vez, sustenta que a flexibilização das regras é necessária para reduzir a informalidade — que atinge mais de 40% do mercado de trabalho argentino — e atrair investimentos.
Nos bastidores políticos, o governo busca evitar mudanças significativas no texto aprovado pelo Senado. Caso haja alterações, o projeto teria de retornar à Casa revisora, o que poderia atrasar a aprovação antes da abertura oficial do ano legislativo, marcada para 1º de março.
*Com informações da AFP