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Shutdown dos EUA pode ter impacto limitado se projeto for aprovado na segunda-feira

Com a proximidade do prazo, agências federais sem financiamento garantido já acionam seus planos de contingência

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 19h39.

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Após o encerramento da paralisação mais longa da história dos Estados Unidos, em 2025, que durou 43 dias, o governo norte-americano se aproxima de uma nova interrupção, desta vez potencialmente breve. O financiamento do governo expira à meia-noite desta sexta-feira, 30 de janeiro, e o Congresso corre contra o tempo para aprovar um novo projeto de lei orçamentária.

Líderes da Câmara e do Senado chegaram a um acordo sobre os gastos, mas a aprovação formal pode levar até segunda-feira. O desfecho dependerá do tempo necessário para o texto passar pelas duas casas e ser encaminhado ao presidente Donald Trump. Caso o processo se estenda até o início da próxima semana, existe a possibilidade de o governo federal ficar paralisado por ao menos um dia útil.

Com a proximidade do prazo, agências federais sem financiamento garantido já acionam seus planos de contingência. Segundo um funcionário da Casa Branca, o Escritório de Administração e Orçamento (OMB) deve emitir uma orientação formal de paralisação ainda na noite de sexta-feira, caso não haja aprovação até o prazo.

Como a paralisação teria início durante o fim de semana, quando a maioria das repartições públicas já está fechada, o impacto inicial seria limitado. As funções essenciais — como controle de tráfego aéreo, segurança e patrulha de fronteiras — continuariam em operação.

O principal impacto seria observado na segunda-feira, quando o governo pode adotar medidas de contenção, dependendo do andamento no Congresso. A legislação orçamentária permite autorizações de gasto diárias, e não por hora. Isso abre espaço para que, se o Congresso aprovar o texto na manhã de segunda-feira, as operações federais possam continuar normalmente até a assinatura presidencial.

Há precedentes para esse tipo de flexibilidade. Em 2018, uma resolução foi aprovada após a meia-noite devido a um atraso provocado pelo senador Rand Paul, mas os órgãos públicos abriram no horário habitual. Situação semelhante ocorreu em 1982, quando as agências instruíram os funcionários a se apresentarem, mas suspenderam atividades até nova deliberação do Congresso.

Ainda que ocorra, a paralisação de 2026 deve ser mais restrita. Isso porque parte do governo — como o Departamento de Agricultura dos EUA — já tem recursos garantidos até o fim do ano fiscal. Na paralisação anterior, a suspensão dos pagamentos do programa de assistência alimentar (food stamps) por esse departamento gerou forte repercussão política.

Mesmo paralisações de curta duração exigem mobilização técnica. Interrupções incluem reconfiguração de sistemas, backup de servidores e alterações em sites institucionais, o que costuma consumir ao menos um dia de trabalho entre início e retomada das atividades.

Caso ocorra, a suspensão das atividades pode impactar até a divulgação de indicadores econômicos. O Departamento de Estatísticas do Trabalho, por exemplo, deverá adiar a publicação dos dados de emprego de janeiro.

A expectativa é que o primeiro sinal da postura oficial da Casa Branca seja dado ainda na noite desta sexta-feira. O OMB costuma enviar diretrizes às agências com base no ritmo de tramitação do projeto de gastos no Congresso.

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