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Secretário dos EUA diz que Venezuela terá transição estável com participação de Corina

Marco Rubio foi questionado em audiência no Senado sobre política americana em relação à Caracas

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 15h41.

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Durante audiência no Senado dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio foi questionado sobre a sucessão de Nicolás Maduro na Venezuela e a relação com a presidente interina, Delcy Rodríguez.

O objetivo da audiência era explicar a política americana em relação à Venezuela após o ataque de 3 de janeiro em Caracas, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Ele também foi pressionado por não ter havido consulta prévia ao Congresso antes do ataque ao país sul-americano. O secretário de Estado também destacou que o governo americano vai promover novas eleições na Venezuela, mas ressaltou que o cenário atual exige tempo e cautela. Segundo ele, o governo de Donald Trump espera que o contexto político da Venezuela se torne mais estável.

"O objetivo final é chegar a uma fase de transição na qual tenhamos uma Venezuela amiga, estável, próspera e democrática, onde todos os setores da sociedade estejam representados em eleições livres e justas", declarou.

O secretário foi cobrado por senadores democratas e republicanos pelas ações do Poder Executivo. Rubio respondeu que o governo Trump não removeu uma autoridade eleita, mas sim uma pessoa que fraudou as eleições na Venezuela e que foi condenada por tráfico de drogas.

Relações com Delcy Rodríguez

O secretário de Estado foi questionado sobre os planos do presidente para o país sul-americano. Trump e membros de seu alto escalão têm demonstrado que mantêm interlocução com Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro e atual líder interina do regime em Caracas.

De acordo com Rubio, a Casa Branca estabeleceu "conversas diretas e respeitosas" com Delcy Rodríguez. Parte da estratégia inclui um mecanismo mediante o qual a Venezuela pode vender petróleo sancionado a preço de mercado sob "supervisão" americana, com o objetivo de financiar a polícia e o aparato governamental e garantir que os recursos sejam utilizados "em benefício do povo venezuelano".

"Este mecanismo de curto prazo estabiliza o país e assegura que as receitas do petróleo sancionado beneficiem o povo venezuelano, não o sistema anterior", explicou.

A segunda fase, segundo o secretário de Estado, visa à recuperação econômica e à normalização da indústria petrolífera, que possui as maiores reservas do mundo, promovendo "vendas sem corrupção e sem favoritismos".

Nesse sentido, Rubio aplaudiu o fato do Parlamento venezuelano ter eliminado recentemente muitas das restrições sobre hidrocarbonetos para empresas privadas.

Também ressaltou a necessidade de abrir espaços políticos à oposição, lembrando que ainda há cerca de 2 mil presos políticos no país.

Sobre este ponto, reconheceu que as libertações estão ocorrendo mais lentamente do que o desejado, mas assegurou que "estão sendo libertados".

Questionado sobre se está ciente de que a agência antidrogas investiga Delcy Rodríguez por sua suposta relação com o narcotráfico, respondeu que, diferentemente de Maduro, a presidente interina não está indiciada perante a Justiça americana.

Em um discurso por escrito enviado ao Comitê de Relações Exteriores do Senado, Rubio ameaçou com o "uso da força" se o novo governo de Delcy Rodríguez não cooperar plenamente com os EUA.

Seu comparecimento à Câmara Alta ocorre no mesmo dia em que Rubio tem previsto receber no Departamento de Estado a líder opositora venezuelana María Corina Machado, que há duas semanas se reuniu com Trump e lhe presenteou com sua medalha do Prêmio Nobel da Paz.

Papel de María Corina na transição de governo

Marco Rubio declarou também que María Corina Machado “pode fazer parte” da transição na Venezuela.

Ele foi questionado por um senador democrata sobre a decisão de Trump de manter Machado à margem do processo de transição e tecer uma relação com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicolás Maduro que assumiu o poder após a captura do líder chavista.

O chefe da diplomacia americana disse que conhece Machado há muitos anos e afirmou que lidou com ela muito mais do que qualquer um dos membros do Comitê de Relações Exteriores do Senado que entrevistou.

“O que tentamos desencadear aqui é um processo de estabilização, recuperação e transição para uma situação em que María Corina e outras pessoas possam fazer parte”, analisou.

(Com informações da agência EFE)

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