Santos responde a Farc que processo de paz deve ser realista

''Há coisas que são permitidas e outras que não são'', acrescentou o presidente, que completou: ''é importante entender isso neste processo''

Bogotá - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta quinta-feira que o diálogo durante o processo de paz deve ''ser realista'' depois que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram que entre seus negociadores estará Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, conhecido como ''Simón Trinidad'', preso nos Estados Unidos.

''Há coisas que são permitidas e outras que não são'', acrescentou o presidente, que completou: ''é importante entender isso neste processo''.

O líder deu essa declaração em Bogotá pouco antes de viajar à base militar de Tolemaida, no centro da Colômbia, onde dará detalhes à cúpula do exército sobre o plano de paz com as Farc.

Hoje, seis membros da guerrilha ofereceram uma entrevista coletiva em Havana, cidade que será palco das principais negociações, onde informaram que seus negociadores principais serão Luciano Marín Arango, conhecido como ''Iván Márquez'' e número dois das Farc, e Bertulfo Álvarez, conhecido como ''Jesús Santrich'' e membro do Estado-Maior Central.

Os guerrilheiros acrescentaram que também está em seus planos convidar Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, conhecido como ''Simón Trinidad'', extraditado em 2004 para os EUA e condenado a 60 anos de prisão pelo sequestro de três americanos do Pentágono, para integrar a equipe de negociação.

O anúncio gerou polêmica na Colômbia, assim como quando os porta-vozes da guerrilha anunciaram que não têm prisioneiros em seu poder, já que os últimos foram libertados em abril.

Dos EUA, Laurie Quince, uma das advogadas de defesa de ''Simón Trinidad'', admitiu à Agência Efe que em termos legais ''é praticamente impossível'' que seu cliente participe das negociações de paz.


''Suponho que o único caminho, se é que existe, seria o diplomático'', analisou.

Sobre essa questão, o presidente do Congresso colombiano, Roy Barreras, reconheceu que seria ''um primeiro obstáculo complexo'' no processo de paz, já que ''não compromete a vontade do governo colombiano, mas a de outro país''.

A bola ficou com os Estados Unidos, que agora devem decidir se permitem ao guerrilheiro viajar para Oslo, onde em 8 de outubro terá início a mesa de diálogo, e depois para Havana.

Sobre a polêmica, a Marcha Patriótica, uma formação política de esquerda recém-criada na Colômbia, considerou que ''é preciso respeitar'' todas as partes, já que da mesma forma que há pelo lado do governo ex-membros do exército e da polícia na mesa, a guerrilha pode fazer suas propostas.

O caso ''não deve se apresentar como um impedimento'' para avançar no processo, opinou à Efe o advogado David Flórez, um dos porta-vozes da Marcha Patriótica.

O outro comunicado das Farc, a respeito de não ter prisioneiros, também levantou polêmica.


''Já não há nenhum preso por nossa parte. Nós dissemos que não haveria sequestros e já não há sequestros'', afirmou hoje em Cuba o guerrilheiro Jaime Alberto Parra, conhecido como ''Mauricio Jaramillo'' ou ''O Médico''.

Mas os familiares de sequestrados e pessoas que estiveram presas durante anos reivindicaram à guerrilha que diga a verdade e revele onde estão os reféns que nunca teriam sido libertados.

O ex-deputado e ex-refém Sigifredo López opinou à Efe que ''as Farc devem dizer à sociedade antes de 8 de outubro (início da mesa do diálogo em Oslo) o que aconteceu com os sequestrados que não retornaram: se ainda estão vivos, morreram em cativeiro ou foram assassinados''.

López lembrou que, ''segundo instituições muito sérias'', como a organização País Livre, ''as Farc mantêm sequestradas de 469 a 1.236 pessoas, com um total histórico de 3.700 casos''.

Por seu lado, a também ex-refém e ex-candidata à vice-presidência da Colômbia, Clara Rojas, atualmente diretora da País Livre, disse se sentir ''desconcertada'' pelo pronunciamento e que espera que os líderes guerrilheiros reconsiderem o que foi dito.

''É possível que comandantes de blocos e frentes não estejam dizendo a verdade'', disse Rojas, que foi libertada em 2008 após seis anos presa com Ingrid Betancourt. 

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