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Quênia processa 5 suspeitos por ataque a hotel em Nairóbi

Dois dos suspeitos são taxistas que transportaram alguns dos terroristas

Atentado em uma rede de hotéis no Quênia deixou dezenas de mortos (Thomas Mukoya/Reuters)

Atentado em uma rede de hotéis no Quênia deixou dezenas de mortos (Thomas Mukoya/Reuters)

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EFE

18 de janeiro de 2019, 13h32

Nairóbi - O Tribunal Superior de Nairóbi processou nesta sexta-feira cinco suspeitos do ataque jihadista da última terça-feira contra um complexo hoteleiro da capital do Quênia, no qual 21 pessoas morreram, segundo os dados oficiais.

A juíza Martha Mutuku ordenou a detenção por 30 dias de cinco pessoas - quatro homens e uma mulher -, que permanecerão sob custódia policial até que as forças de segurança possam concluir suas investigações, segundo informou a emissora de televisão "Citizen TV".

Os suspeitos foram identificados como Joel Nganga, Oliver Muthee, Gladys Kaari, Guleid Abdihakim e Osman Ibrahim e, segundo o Ministério Público, estão sob uma investigação "complexa e transnacional".

Nganga e Muthee são dois taxistas que transportaram alguns dos terroristas; e Gladys, uma agente da empresa de envio de dinheiro Mpesa que mandou fundos a um dos agressores.

Abdihakim, por sua vez, está detido por ter se comunicado com um dos terroristas; e Ibrahim, por ter sido captado por câmeras de segurança falando com um dos terroristas.

Segundo o canal "Citizen TV", são quatro quenianos e um canadense, embora o Ministério Público não tenha confirmado suas nacionalidades.

A polícia deteve 11 pessoas ligadas ao ataque ao complexo hoteleiro, que começou no início da tarde da última terça-feira durou quase 20 horas.

Entre os detidos há dois "suspeitos-chave", o homem e a mulher detida na quarta-feira em dois bairros de Nairóbi: Eastleigh, de classe baixa e habitado por cidadãos de origem somali; e Ruaka, luxuoso e residencial e próximo à sede da ONU, onde, segundo veículos de imprensa locais, vivia um dos agressores abatidos.

Um total de cinco "terroristas" foram "eliminados", nas palavras da polícia, durante este ataque com explosivos e armas de um terrorista suicida no complexo no bairro de Westlands.

O grupo jihadista somali Al Shabab, que se filiou em 2012 à rede internacional da Al Qaeda, reivindicou a autoria do ataque, e alegou que é uma resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Nairóbi não sofria nenhum atentado jihadista desde setembro de 2013, quando em uma operação similar à de terça-feira pelo menos quatro terroristas do Al Shabab atacaram o shopping Westgate, muito frequentado por estrangeiros e quenianos ricos, deixando 67 mortos.

A pior ação terrorista sofrida pelo Quênia foi o atentado de 1998 contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, que deixou mais de 200 mortos e milhares de feridos.