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Protestos entram no 10º dia no Irã; repressão já deixou 36 mortos

Os atos começaram em 28 de dezembro, impulsionados por comerciantes e por setores afetados pela deterioração da situação econômica

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 12h01.

Os protestos no Irã se intensificaram no 10º dia consecutivo, com manifestações registradas até a meia-noite de terça-feira, 6, em dezenas de cidades, incluindo Teerã, apesar da repressão que já deixou ao menos 36 mortos e mais de 2.000 detidos.

As concentrações ocorreram em cidades como Teerã, Mashhad, Qazvin, Abdanan, Shiraz, Zanjan e Ilam, entre outras, segundo imagens divulgadas por ativistas nas redes sociais.

A imprensa iraniana tratou os atos como “distúrbios”. Há relato de manifestações em várias localidades, incluindo Abdanan, onde vídeos mostram uma grande multidão marchando pelas ruas e entoando palavras de ordem contra a República Islâmica.

De acordo com a agência Tasnim, um grupo descrito como “agitadores” entrou em um supermercado em Abdanan e rasgou sacos de arroz, episódio que também aparece em imagens compartilhadas nas redes sociais.

Outro foco relevante dos protestos foi a capital. Em Teerã, houve concentrações desde o meio-dia até o fim da noite em diferentes regiões, incluindo o Grande Bazar e outros mercados, onde muitos estabelecimentos permaneceram total ou parcialmente fechados.

Em dez dias de mobilizações, ao menos 92 cidades de 27 das 31 províncias iranianas registraram protestos. Nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança, morreram pelo menos 36 pessoas, entre elas dois agentes, e cerca de 2.076 pessoas foram detidas.

Os atos começaram em 28 de dezembro, em Teerã, inicialmente impulsionados por comerciantes e por setores afetados pela deterioração da situação econômica, pelo colapso do rial e pela inflação elevada.

O Irã enfrenta uma crise econômica profunda. A inflação anual supera 42%, e a inflação homóloga de dezembro ultrapassou 52% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em um cenário marcado pelas severas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU em razão do programa nuclear do país.

*Com informações de EFE

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