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Protestos contra apagões em Cuba atacam a sede de Partido Comunista

De acordo com o jornal estatal "Invasor", cinco pessoas foram presas em decorrência dos "atos de vandalismo"

Moradores de Morón, que falaram à AFP sob condição de anonimato, descreveram a adesão massiva ao protesto (YAMIL LAGE / AFP/Getty Images)

Moradores de Morón, que falaram à AFP sob condição de anonimato, descreveram a adesão massiva ao protesto (YAMIL LAGE / AFP/Getty Images)

Publicado em 14 de março de 2026 às 18h04.

A sede do Partido Comunista Cubano, única legenda legalizada na ilha, foi alvo de um ataque na madrugada deste sábado (14) durante protestos contra os recorrentes apagões e a escassez de alimentos.

O episódio, registrado no município de Morón, província de Ciego de Ávila (centro do país), reflete o crescente descontentamento social em Cuba.

De acordo com o jornal estatal "Invasor", cinco pessoas foram presas em decorrência dos "atos de vandalismo". A publicação detalhou que a manifestação começou de forma pacífica, com diálogo entre os moradores e as autoridades locais, mas acabou em violência.

Um grupo de pessoas teria apedrejado a entrada do comitê municipal do Partido e ateado fogo na rua utilizando móveis retirados da recepção do prédio.

O veículo de comunicação também divulgou uma imagem de uma cerimônia pró-governo realizada no local após o ataque, conduzida por dirigentes comunistas de Morón, classificada como "um ato de reafirmação revolucionária".

Crise econômica

Os protestos ocorrem em um momento crítico para Cuba, que enfrenta uma grave crise econômica agravada por fatores externos. Em janeiro, as exportações de petróleo da Venezuela foram abruptamente suspensas após a queda de Nicolás Maduro, deposto em uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos.

A situação se soma ao embargo energético imposto por Washington, intensificando a escassez de combustível na ilha de 9,6 milhões de habitantes.

Moradores de Morón, que falaram à AFP sob condição de anonimato, descreveram a adesão massiva ao protesto. "Havia muitas pessoas, elas realmente não aguentam mais", relatou um dos entrevistados, afirmando que a população local tem acesso a apenas uma hora e meia de eletricidade por dia.

O mesmo morador acrescentou que todos os hotéis da cidade, principal fonte de emprego para os cerca de 70 mil habitantes, permanecem fechados devido à crise de combustíveis e à retração no turismo.

O governo cubano anunciou recentemente um pacote de medidas emergenciais, incluindo o fechamento temporário de algumas unidades hoteleiras e a realocação de turistas em instalações reduzidas.

"Uma das situações que está tendo grande impacto é o número de pessoas que perderam seus empregos e estão praticamente sem renda", comentou a fonte.

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