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'Primeira combatente': quem é Cilia Flores, mulher de Nicolás Maduro

Natural do estado de Cojedes, Flores é deputada da Assembleia Nacional da Venezuela desde 2016

Maduro e Flores: Advogada formada pela Universidade Santa María, em Caracas, ela mantém relação com Maduro desde a década de 1990 (Joka Madruga )

Maduro e Flores: Advogada formada pela Universidade Santa María, em Caracas, ela mantém relação com Maduro desde a década de 1990 (Joka Madruga )

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 08h51.

Última atualização em 3 de janeiro de 2026 às 08h53.

Os Estados Unidos afirmaram neste sábado, 3, que a operação realizada na Venezuela resultou na captura do presidente do país, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Adela Gavidia Flores de Maduro, de 66 anos, frequentemente apresentada pelo líder venezuelano como a “primeira combatente”.

Natural do estado de Cojedes, Flores é deputada da Assembleia Nacional da Venezuela desde 2016.

Advogada formada pela Universidade Santa María, em Caracas, ela mantém relação com Maduro desde a década de 1990, quando atuava como defensora do então militar Hugo Chávez. O casal, no entanto, só oficializou o casamento em 2013, pouco após Maduro assumir a Presidência, após a morte de Chávez em decorrência de um câncer.

A atuação de Flores como advogada foi considerada decisiva em dois momentos-chave da história recente do país.

Em 1994, teve papel fundamental na libertação de Chávez, preso após liderar uma tentativa frustrada de golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992.

Já em 2002, durante a tentativa de golpe que afastou Chávez do poder por cerca de 48 horas, Flores voltou a ganhar protagonismo ao atuar na articulação política e jurídica que ajudou a viabilizar o retorno do presidente ao Palácio de Miraflores.

À época, Flores integrava o Comando Tático para a Revolução, núcleo mais restrito de conselheiros de Chávez, e presidia o Comando Político da Revolução Bolivariana.

Dias antes da tentativa de golpe de 2002, ela e outros integrantes do grupo chegaram a discutir o uso de forças paramilitares para defender o governo no palácio presidencial — estratégia que acabou sendo adotada.

O chavismo na Venezuela

Com o fortalecimento do chavismo, Flores consolidou-se como uma das figuras técnicas mais influentes do regime.

Ocupou cargos de destaque, como o de Procuradora-Geral da República, e, em 2006, tornou-se a primeira mulher a presidir o Legislativo venezuelano, função que exerceu por cinco anos.

No comando da Assembleia, ganhou fama de dirigente rígida, responsável por impor disciplina interna e evitar dissidências relevantes no Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em momentos de crise política.

Apesar da ascensão ao topo do poder, Flores costuma ser apresentada por Maduro como alguém de origem humilde.

Segundo o discurso oficial, ela teria nascido em uma fazenda de chão batido e crescido em bairros populares de Caracas, onde sua família teria sido alvo de perseguições policiais por apoiar o movimento chavista desde seus primórdios.

Ao longo da carreira, Flores também enfrentou acusações de nepotismo, após denúncias de que parentes próximos teriam sido contratados em seu gabinete. Ela sempre negou irregularidades e afirmou ser alvo de uma campanha de difamação.

Em 2018, Flores passou a integrar a lista de autoridades venezuelanas sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, sob a acusação de participar do desvio de recursos públicos e de facilitar a sustentação do regime autoritário no país.

Mais recentemente, Washington ampliou as sanções e incluiu diversos integrantes de sua família extensa em uma lista negra financeira, por suspeitas de corrupção em negócios com o governo venezuelano.

Entre os casos mais emblemáticos estão os de seus sobrinhos Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas, presos em novembro de 2015 sob acusação de tentar transportar cocaína para os Estados Unidos.

Condenados pela Justiça americana, ambos foram libertados em outubro do ano passado, como parte de uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas, que resultou na libertação de sete cidadãos americanos detidos na Venezuela.

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