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Congresso do Peru destitui presidente interino José Jerí

Político deixa o cargo após quatro meses; país vai às urnas em abril para eleger novo presidente

O ex-presidente interino do Peru, José Jeri, destituído em 17 de fevereiro (ERNESTO BENAVIDES/AFP)

O ex-presidente interino do Peru, José Jeri, destituído em 17 de fevereiro (ERNESTO BENAVIDES/AFP)

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 16h49.

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O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira, 17, o presidente interino José Jerí. Ele estava no cargo havia quatro meses.

Jerí, de 39 anos, é investigado pelo Ministério Público em dois casos de suposto tráfico de influência. A saída ocorre a poucas semanas das eleições gerais marcadas para 12 de abril.

Ele nega irregularidades. Em entrevista à televisão no domingo, afirmou: "Eu não cometi nenhum crime. Tenho plena suficiência moral para poder exercer a presidência da República".

Investigações e críticas no Congresso

A moção foi apresentada após a coleta das 78 assinaturas necessárias para convocar sessão extraordinária durante o recesso parlamentar. O Congresso precisava de maioria simples para aprovar a destituição.

"O número de congressistas habilitados é de 115 e a maioria é de 58", declarou o então presidente interino do Legislativo, Fernando Rospigliosi, ao abrir o debate.

Jerí é alvo de investigação preliminar por suposto "tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses" depois de reunião com um empresário chinês que mantém negócios com o governo. Ele apareceu encapuzado em imagens de segurança vazadas e pediu desculpas por ter coberto o rosto.

Na semana passada, outra apuração foi aberta por "tráfico de influência" relacionada à suposta intervenção na contratação de nove mulheres para trabalhar em seu governo.

Parlamentares da oposição também criticaram encontros noturnos com jovens em seu gabinete presidencial.

Antes de assumir a presidência, Jerí foi acusado de agressão sexual. O caso foi posteriormente arquivado pelos promotores.

Transição e cenário político

Jerí chegou ao cargo após a destituição da então presidente Dina Boluarte, em outubro, em julgamento político que alegou incapacidade de enfrentar uma onda de extorsões e assassinatos sob encomenda. Ele era presidente do Congresso quando foi alçado ao Executivo.

Com a saída, o novo chefe do Legislativo assumirá automaticamente a presidência interina até julho. Será o nono presidente do Peru desde 2016. Rospigliosi afirmou que não assumirá o posto.

Analistas apontam que a nova troca de comando ocorre em meio à campanha eleitoral, que reúne mais de 30 candidatos à Presidência. "Ter uma nova substituição na presidência, a quarta no atual lustro político, não resolverá nada da profunda crise institucional que o país vive", disse à AFP o analista Augusto Álvarez.

Segundo ele, "os partidos que apressam a destituição o fazem porque acreditam que isso poderia ajudá-los a obter mais votos na eleição de 12 de abril".

Eleições e impacto econômico

Os peruanos elegerão novo presidente e Congresso em abril, com possibilidade de segundo turno em junho.

O Peru é uma das economias mais estáveis da América Latina, de acordo com a Bloomberg. O crescimento supera o de vários países da região e a inflação está em 1,7%, uma das mais baixas entre mercados emergentes.

*Com informações da AFP

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