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Premiê japonês modifica ministério buscando recuperar confiança

Mudanças no governo de Shinzo Abe acontecem em um momento de decisões importantes nas áreas da segurança, diplomacia e economia

Shinzo Abe: dois novos ministros de seu governo serão responsáveis por questões importantes, começando pela Coreia do Norte (Kim Kyung-Hoon/Reuters)

Shinzo Abe: dois novos ministros de seu governo serão responsáveis por questões importantes, começando pela Coreia do Norte (Kim Kyung-Hoon/Reuters)

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AFP

Publicado em 3 de agosto de 2017 às 09h13.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, reorganizou nesta quinta-feira seu governo, em uma tentativa de recuperar a confiança da opinião pública, abalada por uma série de escândalos, em um momento de decisões importantes nas áreas da segurança, diplomacia e economia.

O chefe de Governo anunciou Itsunori Onodera como o ministro da Defesa, uma pasta que já havia ocupado há alguns anos. Onodera sucede Tomomi Inada, forçada a renunciar após um caso de ocultação de documentos militares.

No ministério das Relações Exteriores, Fumio Kishida, que estava no posto desde o fim de 2012, será substituído por Taro Kono.

Os dois novos ministros serão responsáveis por questões importantes, começando pela Coreia do Norte, que ameaça o Japão com os repetidos testes de mísseis, e as discussões sobre o tema com China, Estados Unidos e Coreia do Sul.

Apesar de Abe considerar a aliança Japão-EUA como algo indestrutível existem divergências com o governo de Donald Trump, especialmente sobre as questões comerciais.

Shinzo Abe confirmou, no entanto, seus mais fiéis colaboradores desde que retornou ao poder em 2012: o ministro das Finanças e vice-premeir Taro Aso e o porta-voz Yoshihide Suga.

O ministro do Comércio e Indústria, Hiroshige Seko, na pasta desde 2016, também contina no cargo.

Apesar de Abe ter anunciado há quase cinco anos que a promoção das mulheres seria uma de suas metas políticas, o novo gabinete, que tem 19 integrantes (sem contar o premier), conta com apenas duas mulheres: Seiko Noda, no Interior, e Yoko Kawakami na Justiça.

Abe fez uma reforma limitada, obrigado a medir o peso das diferentes alas de seu Partido Liberal Democrata (PLD). As figuras populares que procurou não eram necessariamente propensas a responder de modo positivo, "pois algumas consideram que não é bom para elas integrar um governo Abe", explicou à AFP Takashi Ryuzaki, ex-editor de política do canal TBS.

Decepcionado com episódios recentes que considerou lamentáveis, "o primeiro-ministro selecionou pessoas mais experientes, veteranos, já que deseja evitar ao máximo os erros de linguagem", disse um analista político no canal NHK.

A queda de popularidade do governo nas pesquisas, que se tornou concreta com uma grande derrota do PLD na eleição para a Assembleia de Tóquio, é provocada não apenas pelos escândalos dos ministros, mas também pela conduta do próprio Abe, aponta a imprensa.

Além das suspeitas de favorecimento a amigos, o primeiro-ministro, que tem uma grande maioria no Parlamento, é acusado de ter privilegiado nos últimos meses a votação de leis polêmicas de seu interesse, nos âmbitos da Defesa e da Segurança Interna, ao invés de manter a promessa inicial e reiterada de "a economia em primeiro lugar".

Sua estratégia para a economia, conhecida como "abenomics", fracassou em seu principal objetivo: vencer a deflação e construir as bases de um crescimento duradouro. Neste aspecto, os cidadãos mais desfavorecidos esperam muito do governo.

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