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Premiê da Dinamarca cobra que Trump pare com 'ameaças' à Groenlândia

Mette Frederiksen diz que não há base legal para anexação e reage a falas do presidente dos EUA sobre a ilha

Mette Frederiksen: primeira-ministra da Dinamarca manda Trump parar com 'ameaças' à Groenlândia (Ints Kalnins/Reuters)

Mette Frederiksen: primeira-ministra da Dinamarca manda Trump parar com 'ameaças' à Groenlândia (Ints Kalnins/Reuters)

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 20h40.

Última atualização em 4 de janeiro de 2026 às 20h41.

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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pediu que Washington cesse o que classificou como “ameaças” à Groenlândia. Segundo ela, “não faz absolutamente nenhum sentido” falar em qualquer tipo de anexação do território.

A reação ocorreu após Trump reiterar publicamente que os EUA “precisam” da ilha, em meio à escalada de tensões após a atuação militar americana na Venezuela.

Segundo a Bloomberg, Frederiksen afirmou que não há base legal para qualquer discussão sobre anexação e disse que os Estados Unidos “não têm o direito de anexar nenhuma das três nações que compõem o Reino da Dinamarca”, referência à Dinamarca, à Groenlândia e às Ilhas Faroé.

As declarações foram uma resposta direta à fala de Trump no domingo, quando voltou a afirmar que a Groenlândia é estratégica para a defesa americana. O território é semiautônomo, integra o Reino da Dinamarca e tem status respaldado por acordos internacionais.

Frederiksen ressaltou ainda que o Reino da Dinamarca faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, portanto, está coberto pelas garantias de defesa coletiva da aliança. Além disso, lembrou que há um acordo de defesa de longa data que já concede aos Estados Unidos amplo acesso militar à Groenlândia, segundo a Bloomberg.

A prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro elevou, segundo analistas, o temor de que Washington amplie sua presença militar no hemisfério ocidental.

“Precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para defesa”, disse Trump em entrevista à revista The Atlantic, citada pela Bloomberg.

Neste sábado, Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicou nas redes sociais uma imagem da Groenlândia nas cores da bandeira dos Estados Unidos acompanhada da palavra “Soon” (“em breve”).

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou a publicação como “desrespeitosa”, mas buscou afastar um clima de alarme. Em postagem nas redes sociais, afirmou que “não há motivo para pânico”.

“Somos uma sociedade democrática, com autogoverno, eleições livres e instituições sólidas”, escreveu Nielsen. Segundo ele, a posição da Groenlândia está “firmemente ancorada no direito internacional e em acordos reconhecidos globalmente”.

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