Eleições presidenciais em Portugal: votação em meio a temporais (Foto por PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
Redação Exame
Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 08h25.
Última atualização em 8 de fevereiro de 2026 às 08h27.
Portugal realiza neste domingo, 8 de fevereiro, o segundo turno de sua eleição presidencial em meio aos efeitos de fortes tempestades que atingem o país desde o início do ano. A disputa coloca frente a frente o socialista António José Seguro e o líder da direita radical André Ventura, em uma votação acompanhada com atenção por analistas que avaliam o peso do crescimento da ultradireita na política portuguesa.
As seções eleitorais abriram às 8h no horário local (5h em Brasília), com cerca de 11 milhões de eleitores aptos a votar, incluindo residentes no exterior. As primeiras pesquisas de boca de urna são esperadas para a noite. Embora as condições climáticas tenham melhorado em relação ao sábado, pelo menos 14 distritos fortemente afetados adiaram a votação de quase 32 mil pessoas por uma semana.
As tempestades provocaram enchentes, deixaram ao menos cinco mortos e causaram prejuízos estimados em 4 bilhões de euros. Ventura defendeu o adiamento completo do pleito, mas o pedido foi rejeitado. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou a situação como uma crise devastadora, mas afirmou que os obstáculos à votação poderiam ser superados. O presidente em fim de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou que a eleição presidencial anterior ocorreu mesmo durante a pandemia de Covid-19.
Pesquisas recentes indicam ampla vantagem de Seguro sobre Ventura. Um levantamento divulgado na quarta-feira atribuiu 67% das intenções de voto ao candidato socialista. No primeiro turno, realizado no mês passado, nenhum concorrente alcançou a maioria necessária para vencer, o que levou à realização do segundo turno entre os dois mais votados.
A presença de Ventura na fase final da disputa já é vista como um marco para o partido Chega, fundado há menos de sete anos e hoje uma força relevante no Parlamento. A legenda tornou-se a segunda maior bancada após as eleições gerais de maio, realizadas em um período de instabilidade política que levou o país a três pleitos nacionais em três anos.
Seguro, político experiente do Partido Socialista, tem adotado um discurso moderado e sinalizado disposição para cooperar com o atual governo minoritário de centro-direita. Já Ventura construiu sua campanha em tom de confronto, com críticas duras ao sistema político e à imigração. Durante o período eleitoral, o candidato utilizou slogans contra a presença de estrangeiros e questionou políticas de assistência social voltadas a imigrantes.
Em Portugal, o presidente exerce papel majoritariamente institucional, sem poder executivo direto, atuando como mediador em momentos de tensão política. Ainda assim, o cargo possui instrumentos relevantes, como a possibilidade de vetar leis aprovadas pelo Parlamento — decisão que pode ser revertida pelos deputados — e a prerrogativa de dissolver a Assembleia e convocar eleições antecipadas, mecanismo conhecido no jargão político local como “bomba atômica”.
O vencedor tomará posse em março e sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, que conclui o limite constitucional de dois mandatos.