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Por que Porto Rico pertence aos EUA mas não é um estado?

Terra natal de Bad Bunny, músico popular que se apresentou no Super Bowl, tem um status incomum perante os Estados Unidos

Bad Bunny: artista mostrou bandeira de Porto Rico em show no intervalo do Super Bowl 2026 (Kevin Sabitus/Getty Images)

Bad Bunny: artista mostrou bandeira de Porto Rico em show no intervalo do Super Bowl 2026 (Kevin Sabitus/Getty Images)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 16h33.

Porto Rico, terra natal do cantor Bad Bunny, tem um status curioso: pertence aos Estados Unidos, mas não é uma área com o mesmo status do resto do país.

O arquipélago no Caribe, onde a maioria dos habitantes fala espanhol e é oficialmente um território não incorporado sob a administração dos Estados Unidos.

Seus residentes são considerados cidadãos americanos e podem se mover livremente entre o arquipélago e os EUA, apesar de não votarem em eleições federais americanas e não terem um representante com o mesmo poder político no Congresso que representantes de estados continentais americanos possuem

O arquipélago, a cerca de 1.600 km ao sudeste de Miami, na Flórida, consiste em uma ilha principal epônima e de diversas ilhas menores, com aproximadamente 3,2 milhões de residentes distribuídos em 78 municípios.

De colônia espanhola a território americano

Porto Rico é o nome de um conjunto de ilhas que fica a cerca de 1.600 quilômetros da Flórida, onde hoje vivem 3,2 milhões de habitantes. A região foi ocupada pelos espanhóis a partir de 1493, meses depois da chegada de Cristóvão Colombo.

No nordeste do Caribe, a localização das ilhas fez com que o arquipélago tenha se tornado um importante ponto estratégico do império espanhol desde o início do processo de colonização. O grupo de ilhas foi um importante posto militar durante muitas guerras envolvendo a Espanha e outras potências europeias, como a França e o Reino Unido, do século XVI ao século XVIII. Ruínas de fortes e até castelos continuam nas ilhas até hoje e viraram importantes pontos turísticos.

Além disso, sua localização permitia que o arquipélago agisse também como um ponto de passagem de imigrantes europeus para as colônias no Novo Mundo, como para Cuba, América Central e os territórios do norte da América do Sul. Alguns soldados portugueses trouxeram suas esposas para a ilha principal, enquanto outros se casaram com porto-riquenhas e se estabeleceram, fazendo com que muitas famílias da região atualmente tenham sobrenomes portugueses comuns, como no Brasil. Em uma lista dos 100 sobrenomes mais comuns de Porto Rico, pelo site de pesquisa genealógica Geneanet, aparecem nomes como Pacheco, Ramos, Crespo e Matos.

A importância devido ao posicionamento da ilha era tanta que Porto Rico e Cuba foram as últimas duas colônias da Espanha no Novo Mundo – no século XIX, após uma série de revoluções bem-sucedidas por independência nas colônias espanholas na América do Sul, a coroa espanhola temia perder todos os seus territórios no Caribe e nas Américas.

A guerra de independência de Cuba, no fim do século XIX foi vista com simpatia por muitos americanos, que viram paralelos na luta por independência da ilha com sua própria revolução. Com os interesses dos EUA na região dependendo da independência cubana, a marinha americana enviou o navio de guerra USS Maine para Havana.

Uma forte explosão nesse navio, cujas causas são contestadas até hoje, matou centenas de marinheiros – de 355, apenas 94 sobreviveram. O Congresso americano rapidamente culpou a Espanha em uma investigação, o que pavimentou o caminho para a guerra hispano-americana, que durou de abril a agosto de 1898.

A guerra terminou com o Tratado de Paris do mesmo ano, garantindo aos EUA soberania sobre Porto Rico e estabelecendo Cuba como um protetorado americano, marcando o fim da presença colonial espanhola na região. Em 1900, um governo civil americano foi formado no arquipélago e, em 1917, porto-riquenhos passaram a ser considerados cidadãos americanos.

Estado político de Porto Rico

O chefe de estado oficial de Porto Rico é o presidente americano, mas o arquipélago é governado localmente por um presidente local, que lidera o Senado, eleito a cada quatro anos, e um governador, que lidera o poder executivo. Juntos, esses dois cargos administram o arquipélago de maneira semiautônoma.

Além disso, os porto-riquenhos elegem um delegado para representar os interesses do arquipélago em Washington, também a cada quatro anos. Leis implementadas federalmente nos EUA também entram em vigor em Porto Rico.

Desde 1952, os três principais partidos políticos do arquipélago são o Partido Popular Democrata (PPD), o Novo Partido Progressista (PNP) e o Partido de Independência porto-riquenho (PIP), cada um defendendo pautas e posicionando-se sobre a relação com os EUA. O PNP, por exemplo, busca manter o status atual do arquipélago em relação aos EUA, com o PNP querendo tornar o arquipélago no 51º estado americano e o PIP buscando independência total.

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