Gustavo Petro, presidente da Colômbia (Mauro Pimentel/AFP)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 21h18.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu nesta terça-feira, 6, às declarações de Donald Trump, que o chamou de “bandido do narcotráfico”. Em mensagem publicada na rede social X, Petro afirmou que o título atribuído pelo líder norte-americano é “um reflexo de seu cérebro senil” e acusou Trump de ver “os verdadeiros libertários como narcoterroristas porque não lhe damos nem carvão nem petróleo”.
A troca de acusações ocorre após Trump, no domingo, 4, dizer a jornalistas a bordo do Air Force One que “a Colômbia também está muito doente” e que o país é “governado por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado se isso poderia levar a uma operação semelhante à realizada contra Nicolás Maduro, na Venezuela, Trump respondeu: “Para mim, isso parece bem”.
Petro atribuiu os atritos à sua oposição ao que chamou de “irracionalidade do capitalismo”, que, segundo ele, “leva a humanidade à extinção por ganância”. Em dezembro, Trump já havia advertido que Petro seria “o próximo” depois de Maduro, acusado pelos EUA de liderar o Cartel de los Soles — entidade cuja existência foi negada pelo presidente colombiano e que deixou de ser mencionada na nova acusação apresentada nesta terça pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Petro também afirmou que a prisão de Maduro teve como objetivo “ficar com o petróleo da Venezuela”. A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Villavicencio, apoiou o presidente e declarou que “todo esse conflito tem a ver com interesses econômicos”, apontando que a busca por petróleo leva os EUA a “ultrapassar os limites dos princípios e do respeito à soberania”.
O presidente colombiano convocou para quarta-feira, 7, uma manifestação em Bogotá “pela soberania” e disse estar disposto a defender o país contra o que classificou como uma “ameaça ilegítima”.
elcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, afirmou nesta terça-feira, 6, que nenhum "agente externo" está no controle do país.
A declaração ocorreu durante sua primeira atividade de gabinete desde que assumiu o cargo, na segunda-feira, 5, um dia após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.
"O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela", disse Delcy, em um pronunciamento televisionado. Sua liderança começou sob pressão de Donald Trump, que afirmou controlar o país.
"Desde já, faço o nosso reconhecimento aos mártires que deram a sua vida para defender a Venezuela", acrescentou. "A Venezuela está em um caminho doloroso pela agressão inédita que sofreu, mas o povo venezuelano está nas ruas, marchando, pela paz no nosso país e pela liberdade do nosso presidente".