Manifestantes protestam com a bandeira do Peru perto do Congresso, em Lima (Ernesto Benavides/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 10h56.
Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 11h31.
O Peru realiza nesta quarta-feira, 18, uma votação fechada para definir seu novo presidente, que será o oitavo em menos de dez anos. A eleição, na qual votarão apenas os parlamentares, escolherá o sucessor de José Jeri, líder interino do país, deposto por uma votação do Congresso na terça-feira, 17.
Os parlamentares se reunirão a partir das 18h (20h em Brasília) para definir um novo chefe do Legislativo, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho, data da posse do vencedor das eleições presidenciais de 12 de abril, que já estavam marcadas previamente.
Cada deputado depositará seu voto em uma urna, seguindo a ordem alfabética e de forma secreta. Depois, será feita a contagem dos votos. O candidato que obtiver a maioria simples dos votos (50%+1) será eleito. Caso nenhum deles atinja essa marca, haverá um segundo turno entre os dois mais votados, na mesma sessão.
O Congresso do Peru tem 130 assentos para deputados e, atualmente, não há Senado. O modelo bicameral será retomado este ano, após as eleições de abril, quando serão eleitos 60 senadores.
A divisão do Congresso é fragmentada entre mais de dez partidos e nenhum deles tem mais de 21 representantes. Jeri, o presidente deposto, pertencia ao partido Somos Peru, que somava 11 deputados.
Dos quatro candidatos que se apresentaram, três pertencem ao bloco que dava apoio ao governo de Jeri. São eles María del Carmen Alva (Ação Popular, 10 assentos), José Balcázar (Peru Livre, 11 assentos) e Hector Acuña (Honra e Democracia, 5 assentos).
Apenas um nome, Edgar Reymundo, vem da atual oposição, do partido Bloco Democrático Popular (5 assentos). Suas chances são consideradas pequenas, pois sua bancada tem pouca força. Conheça mais sobre o perfil dos candidatos a seguir.
O ex-presidente interino do Peru, José Jeri, destituído em 17 de fevereiro (ERNESTO BENAVIDES/AFP)
María del Carmen Alva
Advogada, 58 anos, foi presidente do Parlamento em 2021 e porta-voz do partido Ação Popular (direita). O partido que ocupou a presidência peruana três vezes: com seu fundador Fernando Belaúnde nos períodos de 1963-1968 e 1980-1985, e com o deputado Valentín Paniagua liderando o governo de transição entre 2000 e 2001, após a renúncia de Alberto Fujimori (1990-2000).
José Balcázar
Advogado de 83 anos. Balcázar ingressou no Congresso como representante do Perú Libre, partido que venceu as eleições presidenciais peruanas em 2021 com o candidato Pedro Castillo, que posteriormente sofreu impeachment e atualmente cumpre pena por sua tentativa fracassada de golpe no final de 2022. Balcázar foi criticado por defender o casamento de adolescentes, a partir dos 14 anos.
Héctor Acuña
Com 68 anos, é engenheiro civil e empresário. Seu irmão, Jorge Acuña, é candidato às eleições presidenciais de 12 de abril. Hector entrou no Congresso como representante do partido de seu irmão, a Aliança para o Progresso (APP), de direita. Posteriormente, afastou-se do partido devido a divergências e transitou por diversos blocos políticos antes de se juntar ao bloco Honra e Democracia, composto em grande parte por oficiais aposentados de alta patente das Forças Armadas.
Edgard Reymundo,
Sociólogo, de 73 anos, teve longa carreira política. Reymundo foi prefeito do distrito de Chilca, na região andina de Huancayo, na década de 1980, representando a aliança Esquerda Unida, e também deputado federal de 2006 a 2011 pelo partido centrista União pelo Peru, antes de retornar ao atual parlamento pelo partido de esquerda Juntos pelo Peru
O Peru enfrenta, desde 2016, uma crise de instabilidade institucional, caracterizada por um Poder Legislativo dominante sobre um Executivo frágil. Dos últimos sete presidentes, quatro foram destituídos pelo Congresso e dois renunciaram antes de terem o mesmo destino. Apenas um conseguiu concluir o mandato.
O Congresso destituiu Jerí na terça-feira por "má conduta no exercício de suas funções e falta de idoneidade" para exercer o cargo, após um julgamento político relâmpago.
Jerí caiu em desgraça em janeiro, quando o Ministério Público abriu uma investigação contra ele por "suposto tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses", após a revelação de uma reunião sigilosa com um empresário chinês que faz negócios com o governo.
A situação de Jerí se complicou neste mês com outra investigação sobre tráfico de influência por sua suposta intervenção na contratação de nove mulheres em seu governo.
Jerí, de 39 anos, substituiu em 10 de outubro do ano passado a presidente interina Dina Boluarte. Ela foi destituída em um julgamento político sumário, que a considerou incapaz de resolver uma onda de extorsões e assassinatos por encomenda.
Enquanto esteve no cargo, Jerí enfrentou sete pedidos de censura apresentados pela minoritária oposição de esquerda e por um bloco de partidos de direita.
"Esta crise pode ser um peso eleitoral para os partidos que colocaram Jerí na presidência, como a Força Popular de Keiko Fujimori", disse à AFP Fernando Tuesta, cientista político da Universidade Católica.
A estabilidade do oitavo presidente não está garantida. "Não é possível garantir que quem vai substituir Jerí consiga chegar a julho de 2026", declarou à AFP o analista político Augusto Álvarez.
Com AFP e EFE.