Ciência

Parlamento Europeu proíbe produtos de animais clonados

Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), a "clonagem coloca em risco o bem-estar dos animais diante da escassa eficácia da técnica"


	Gado Nelore em uma fazenda: os produtos de animais descendentes de clones são provenientes principalmente de Estados Unidos, Argentina, Brasil e Uruguai
 (Paulo Fridman/Bloomberg)

Gado Nelore em uma fazenda: os produtos de animais descendentes de clones são provenientes principalmente de Estados Unidos, Argentina, Brasil e Uruguai (Paulo Fridman/Bloomberg)

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Da Redação

Publicado em 8 de setembro de 2015 às 11h29.

A Eurocâmara aprovou nesta terça-feira por maioria a proibição da clonagem de animais, assim como sua importação, a de clones de embriões, descendentes de clones e de alimentos produzidos a partir de descendentes de clones, uma medida que irá impor aos sócios comerciais da UE rígidas condições de acesso.

"A clonagem é tortura animal", resumiu a relatora do texto, a conservadora alemã Renate Sommer, pelas malformações sofridas pelos animais concebidos com este método e pela elevada taxa de mortalidade.

Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), a "clonagem coloca em risco o bem-estar dos animais diante da escassa eficácia da técnica".

"Até agora podemos importar material reprodutivo de terceiros países. Não vamos lavar as mãos deixando que outros façam o trabalho sujo", acrescentou Sommer.

Na UE não é realizado atualmente o uso desta técnica utilizada com fins de reprodução, mas os Estados membros podem importar de outros países produtos de animais clonados, como esperma e embriões, assim como dos descendentes de animais clones e seus produtos.

Os produtos de animais descendentes de clones são provenientes principalmente de Estados Unidos, Argentina, Brasil e Uruguai.

No projeto legislativo apresentado pela Comissão Europeia em dezembro de 2013, o braço executivo da UE não planejava proibir a carne ou o leite produzido por animais descendentes de clones, nem impor uma rastreabilidade destes produtos para não forçar seus sócios comerciais a condições de ingresso ao mercado europeu consideradas irreais.

Desde então a Comissão não mudou de opinião, confirmou o comissário a cargo da Saúde, Vytenis Povilas Andriukaitis.

Uma proibição tão ampla como exigem os eurodeputados não se justifica, entre outras coisas porque os descendentes de animais clonados não passam por sofrimento, disse.

A proposta inicial alcançava os animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina e equipa, mas os eurodeputados modificaram isso e a ampliaram a todos os animais.

Um total de 529 deputados votaram a favor do texto, 120 contra e 29 se abstiveram.

A próxima etapa no processo legislativo será uma negociação, que se anuncia complicada, entre o Parlamento, a Comissão e os Estados membros.

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