Repórter
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 17h14.
Parlamentares da União Europeia convocaram uma reunião de emergência para segunda-feira, 23, para revisar o acordo comercial do bloco com os Estados Unidos, após a Suprema Corte americana anular as tarifas recíprocas globais impostas pelo presidente Donald Trump.
A comissão de comércio do Parlamento Europeu tinha previsto votar, na terça-feira, o avanço do processo de ratificação do acordo entre EUA e UE. O procedimento havia sido suspenso anteriormente, depois que Trump ameaçou anexar a Groenlândia, o que levou eurodeputados a congelarem a tramitação.
"A decisão da Suprema Corte era esperada. A base legal para as tarifas injustificadas não estava correta", afirmou Bernd Lange, presidente da comissão de comércio, em declaração à Bloomberg.
Lange afirmou nas redes sociais que “agora devemos avaliar cuidadosamente” a decisão e “analisar possíveis implicações sobre o trabalho em andamento” para ratificar o acordo.
O pacto comercial prevê a eliminação de tarifas sobre a maior parte dos produtos dos Estados Unidos e a aplicação de uma tarifa de 15% sobre bens da União Europeia. O bloco fechou o entendimento no verão passado com o objetivo de evitar uma escalada comercial e preservar o apoio de segurança americano. O Parlamento Europeu planejava concluir a ratificação em março.
A decisão desta sexta-feira coloca em dúvida esse calendário e o próprio acordo, diante da incerteza jurídica em torno das tarifas impostas por Trump."Os juízes demonstraram que até mesmo um presidente dos EUA não atua em um vácuo jurídico", declarou Lange.
Mesmo antes da decisão desta sexta-feira, parlamentares da União Europeia já haviam promovido mudanças no acordo comercial com os Estados Unidos, incluindo a inclusão de uma cláusula de caducidade, o que gerou questionamentos sobre sua aplicação prática.
Após o posicionamento da Suprema Corte americana, a Comissão Europeia, braço executivo do bloco, informou em comunicado que mantém contato com Washington e busca esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo governo dos EUA.
"Trabalharemos com o governo americano para entender como esta decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o resto do mundo", indicou um porta-voz do governo trabalhista em comunicado, prometendo "apoiar as empresas britânicas à medida que forem anunciados mais detalhes".
"O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas do mundo e, seja qual for o cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os Estados Unidos seja mantida", acrescentou o governo britânico.
O governo trabalhista de Keir Starmer destacou que um acordo firmado com os Estados Unidos garante ao Reino Unido tarifas limitadas a 10% sobre a maioria dos produtos britânicos.