Protesto pressiona por libertação de presos políticos na Venezuela (FEDERICO PARRA/AFP)
Redação Exame
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 13h06.
Familiares de presos políticos iniciaram uma greve de fome neste sábado, 14, em frente a uma prisão em Caracas, dois dias após o Parlamento adiar a aprovação de uma histórica lei de anistia.
O grupo exige a libertação imediata de seus parentes, dentro de um processo de solturas anunciado pela presidente interina Delcy Rodríguez em 8 de janeiro, sob forte pressão de Washington.
Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados de celas da Polícia Nacional, conhecidas como Zona 7, na capital venezuelana.
Usando máscaras, mulheres se deitaram em fila na entrada da Zona 7, onde as famílias estão acampadas há mais de um mês. Muitas dormiam ao amanhecer, horário previsto para o início do protesto, e algumas continuavam deitadas no fim da manhã. "Dormir acalma a fome", afirmou uma delas, sob condição de anonimato.
Trump diz que visitará a Venezuela em meio à relação 'muito boa' com presidente interina"A pressão funcionou. Esperamos ficar aqui até que todos sejam libertados", disse à AFP Evelin Quiaro, de 46 anos, funcionária da imigração e mãe de um preso político. Ela contou que comeu pela última vez depois da 1h da manhã - biscoitos com presunto - e admitiu: "Não estamos preparadas. Nunca fiz nada parecido em minha vida", sobre a decisão de aderir à greve.
O filho de Quiaro, de 30 anos, está detido desde novembro de 2025. Ele foi implicado em uma tentativa de atentado em Caracas e acusado de terrorismo, conspiração e financiamento do terrorismo. "O principal e único objetivo é que finalmente nos deem respostas concretas sobre a libertação de todos os jovens que estão lá dentro, todos eles", afirmou.
No poder após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar americana em 3 de janeiro, Rodríguez propôs, em 30 de janeiro, uma lei de anistia que, em tese, abrangeria os 27 anos do chavismo.
A votação da proposta na Assembleia Nacional foi adiada para a próxima semana, diante de divergências entre parlamentares sobre o alcance da medida e o papel do Judiciário em sua aplicação.
De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro, 431 presos políticos receberam liberdade condicional, enquanto 644 seguem detidos.