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Papa Francisco nomeia primeiro cardeal afro-americano da história

O arcebispo passou a liderar a diocese de Washington após casos de abuso sexual na Igreja Católica americana e é visto como tendo visão mais progressista

 (Mark Wilson/Getty Images)

(Mark Wilson/Getty Images)

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Carolina Riveira

25 de outubro de 2020, 11h25

O papa Francisco nomeou neste domingo, 25, o arcebispo americano Wilton Gregory como cardeal da Igreja Católica. Será o primeiro cardeal negro da história da Igreja Católica nos Estados Unidos.

Gregory esteve entre o total de 13 cardeais anunciados neste domingo. Gregory, que tem 73 anos e é arcebispo de Washington, também liderou por muito tempo a diocese de Atlanta, estado majoritariamente negro nos EUA.

O arcebispo passou a liderar a diocese de Washington em um momento crucial para a Igreja Católica nos EUA, depois de escândalos de abuso sexual nas igrejas americanas atingirem dois dos líderes religiosos anteriores do local, Theodore McCarrick e Donald Wuerl, acusados de abusos cometidos nos anos 2000.

Por decisão do Papa Francisco, McCarrick perdeu o título de cardeal e depois o próprio título de padre.

A nomeação de Gregory como cardeal é mostra das mudanças recentes do papa Francisco à frente da igreja, o que vale também para outros dos nomeados neste domingo. Nesta semana, o papa também chamou atenção ao aparecer em documentário afirmando que não era contra o casamento civil (não na igreja) de homossexuais.

Os novos cardeais têm, no geral, postura parecida às do papa, com visões mais progressistas para os parâmetros da Igreja. A cerimônia que vai oficializar os cardeais acontecerá no próximo dia 28 de novembro.

A nomeação dos cardeais é importante porque são essas autoridades da Igreja que participam da escolha dos próximos papas e são também candidatos ao cargo. A condição para participar é ter menos de 80 anos, o que vale para nove dos 13 indicados hoje.

Dentre os nomeados neste domingo, outro destaque é o arcebispo de Santiago, Celestion Aos. Como os EUA, o Chile foi palco de uma série de denúncias de abuso sexual, e diversos bispos renunciaram.

Catolicismo nos EUA

Nos EUA, a população é majoritariamente protestante, ao contrário do que acontece no Brasil. Quase metade (49%) dos americanos são protestantes, seguidos por 23% de católicos.

No Brasil, o último censo, de 2010, apontou que 65% dos brasileiros eram católicos, ante pouco mais de 20% dos evangélicos -- embora o número de protestantes esteja crescendo no país e possa ultrapassar o de católicos já na próxima década.

Dentre a lista de cardeais, o Brasil tem atualmente nove representantes, segundo a última lista atualizada em setembro. Ao todo, 89 países têm cardeais nomeados. O país com mais cardeais é a Itália (19% do total), seguida por Espanha e Estados Unidos (mais de 6%) e depois o Brasil (4%).